Não há uma cultura de protecção civil em Portugal

Não há uma cultura de protecção civil em Portugal

Governador civil do Porto duvida da operacionalidade dos planos de emergência municipais em situação de calamidade

Manuel Moreira, governador civil do Porto, reuniu-se hoje, no Porto, com representantes autárquicos do distrito e com o vice-presidente do Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil (SNBPC). O objectivo do encontro foi discutir os planos de emergência municipais.

Em declarações ao JornalismoPortoNet, Manuel Moreira explicou que o encontro serviu sobretudo para sensibilizar os autarcas para a necessidade de actualização dos planos de emergência municipais: "Sinto e pressinto que há vários municípios que têm serviços de Protecção Civil, mas que são mais virtuais do que reais". O governador acrescenta que "é preciso conscencializar para uma cultura de protecção civil que não existe em Portugal".

O perigo na aplicação dos planos de emergência reside, segundo o representante do Governo no distrito, nas situações de catástrofe em que pode "não haver resposta". Para Manuel Moreira, os graves incidentes florestais ocorridos no ano passado provam as "vulnerabiliadades, omissões e erros" contidos na reforma orgânica do SNBPC, que estão, por isso, a ser debatidos e paulatinamente resolvidos.

A vontade política existe

O governador civil frisou que é nos municípios que mais há a fazer em termos de Protecção Civil. Os autarcas manifestaram na reunião "vontade de trabalhar", embora os "constrangimentos orçamentais" das autarquias tenham gerado discussão. Manuel Moreira reconhece a "falta de meios técnicos, financeiros e de recursos humanos" das câmaras, mas garante que há vontade de colaboração.

O responsável do Governo Civil do Porto sublinhou ainda que os presidentes das autarquias não se podem esquecer que são os primeiros responsáveis, segundo a lei, pela Protecção Civil dos seus municípios.

Tudo pronto no Porto

O plano de emergência municipal do Porto está pronto a ir para o terreno. Manuel Moreira disse que estes planos são "um instrumento de gestão fundamental e é indispensável actualizá-los". Estes planos serão activados em situações de maior gravidade. "São radiografias do terreno", com a caracterização geográfica e socio-económica dos municípios, e que fornecem toda a informação necessária a uma rápida actuação.

Nesta reunião de conscencialização dos responsáveis autárquicos presentes foi ainda proposto pelo governador civil a criação de uma nova figura, "o Plano Metropolitano de Emergência".

Numa altura em que o assunto "segurança" é tão debatido no país, por força dos atentados de Madrid, o governador civil garante que esta reunião já estava agendada há muito. O Euro 2004, segundo Manuel Moreira, não foi especificamente debatido, mas há um "esforço de coordenação dos Serviços de Segurança". Para o próximo sábado, está marcada uma reunião com os comandantes das 47 corporações de bombeiros do distrito para falar do evento.



Liliana Filipa Silva

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