Zapatero promete luta sem tréguas ao terrorismo

Zapatero promete luta sem tréguas ao terrorismo

Secretário-geral do PSOE assegura que "assumirá as obrigações internacionais relacionadas com a paz e a segurança". Tropas permanecem no Iraque até Junho

O socialista Zapatero teve esta quinta-feira o primeiro de dois dias de debate no Parlamento. No discurso, o vencedor das eleições legislativas espanholas de 14 de Março, garantiu luta contra o terrorismo. O único requisito prévio para cumprir esta promessa é que haja um mandato da ONU ou de qualquer outra organização de carácter multinacional.

Ainda no discurso da investidura, o futuro presidente espanhol referiu que "o governo fará tudo que for preciso para que o projecto da constituição da UE seja aprovado ainda antes de Junho". Além disso, assinalou que "a participação das Forças Armadas Espanholas nas missões no exterior será acordado com o parlamento".

"Zapatero faz promessas radicais e revolucionárias"

Na opinião de José Bastos, editor internacional da Rádio Renascença, Rodriguez Zapatero promete "uma série de coisas radicais e revolucionários". O jornalista que acompanhou o debate, refere algumas das propostas do político, nomeadamente, "regular o casamento entre homossexuais, fazer uma reforma constitucional que, no limite, possa levar a que uma mulher possa ser herdeira do trono espanhol" - todas elas medidas que José Bastos classifica como uma tremenda revolução.

Além disso, "Zapatero passa para o parlamento a decisão de enviar tropas para o Iraque. Zapatero não tem a maioria absoluta e, por isso, terá sempre que remeter as grandes decisões para o parlamento, uma atitude que se percebe, mas que não deixa de ser revolucionária".

Zapatero recusou esta semana um apelo dos nacionalistas bascos

A luta contra o terrorismo que o futuro presidente espanhol prometeu hoje não vai ser tarefa fácil. O editor da «Renascença» recorda que já esta semana Zapatero recusou um apelo dos nacionalistas bascos moderados para denunciar o acordo anti-terrorista com o PP, que é uma espécie de pacto contra a ETA.

"Zapatero recusou esse desafio, mas também é verdade que se prevê que a muito curto-prazo a ETA vá anunciar uma trégua que, de alguma forma, pode passar a bola para o governo", comenta. Além disso, sublinha José Bastos que o partido socialista foi o único que, historicamente, negociou com a ETA, em 1989. "Uma tarefa que não vai ser fácil Zapatero conseguir", frisa.

Relação entre Portugal e Espanha não vai mudar

"A natureza da relação não muda", a garantia foi dada por José Bastos que justifica a afirmação recorrendo à importância da economia na actualidade. "Hoje a economia encarregou-se de estabelecer vínculos de grande profundidade. A economia portuguesa é importante para Espanha assim como a espanhola é para nós. Há uma integração de tal forma óbvia e evidente entre as duas economias que faz com que a política venha a reboque. Além disso, esta é já uma tendência já de décadas", argumentou.

Segundo o jornalista, o facto de Durão Barroso e Zapatero não coincidirem ideologicamente não significa que isso vá afectar a relação. O editor internacional lembra até a relação que existia entre González e Cavaco Silva e Aznar e António Guterres.

Espanha dividida entre pobres e ricos

Conseguirá Zapatero melhorar a posição da Espanha na UE? "Teoricamente não sei se vai melhorar mas pode ser mais determinante, pelo facto de Zapatero já ter prometido e quase desbloqueado a redacção da constituição", opinou José Bastos. A Espanha vive um drama: o país vive dividido entre ser "o primeiro dos pobres e o último dos ricos". Para o editor esta imagem resume a drama espanhol.

Zapatero quer, ao contrário, de Aznar apostar numa UE muito autónoma dos EUA. Na opinião do jornalista da Renascença este será desafio que só o tempo ditará se terá sucesso ou não. Além disso "é importante reparar se Chirac e Schröeder vão acolher bem Zapatero no seu seio". Neste momento está tudo "muito confuso". A ver vamos se com Zapatero no poder, a Espanha conseguirá definir-se definitivamente como a primeira dos ricos ou a última dos pobres.

Editorial do «El Pais» dá conselhos a Zapatero

O autor do editorial da edição de hoje do jornal «El Pais» sugere uma profunda reforma do regulamento interno, "pendente desde várias legislaturas". Para o autor, Zapetro terá uma legislatura em que não há lugar para maiorias alternativas.

No editorial critica-se o regulamento vigente que "revelou-se obsoleto desde o momento da constituição de grupos parlamentares". Quanto às propostas são várias: "é urgente rever as normas que regem a criação e funcionamento das comissões de investigação que não podem continuar a depender da vontade da maioria governamental. E é também urgente rever a excessiva rigidez nos debates políticos ou nas sessões de controlo do governo que outorgam a este vantagens regulamentares excessivas".

O autor do editorial pede ainda maior capacidade de réplica para a oposição. "Marín afirma que a reforma do regulamento é a sua principal prioridade, Rodriguez Zapatero compromete-se a que o Parlamento seja o centro da vida política", escreve.

Andreia Abreu
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