Atentados de Londres: actuação das autoridades britânicas criticada

Atentados de Londres: actuação das autoridades britânicas criticada

Pouca organização é a falha mais apontada. Familiares de desaparecidos queixam-se de falta de informação e deambulam pelos hospitais, em busca de notícias.

Até hoje, segunda-feira, quatro dias após os atentados que causaram o pânico no centro de Londres, ainda não havia sido oficialmente identificada qualquer vítima mortal. Só esta manhã as autoridades britânicas divulgaram o primeiro nome – Susan Levy. As críticas à polícia britânica e ao Governo de Blair não se fizeram esperar.

“Precisamos que nos digam se estão mortos ou não; que nos digam algo, pelo menos”, desabafou Diana Grodi, que tem uma irmã desaparecida, ao diário espanhol “El Mundo”.

O centro de apoio às famílias dos desaparecidos, provisoriamente instalado num pavilhão desportivo, só foi disponibilizado na tarde de sábado.

Entretanto, a polícia e a responsável pelo serviço de saúde de Londres, Julie Dent, pediram às pessoas para aguardarem em casa informações sobre os familiares desaparecidos, em vez de acorrerem aos hospitais em busca de informação.

Imprensa condena actuação das autoridades

A imprensa britânica também tem o Executivo de Tony Blair sob mira. A gestão pós-atentado do Governo britânico está a ser alvo de uma campanha de descrédito, refere o espanhol “El Mundo”.

O centro das críticas é a ministra da Cultura, Tessa Jowell, responsável pela coordenação da ajuda aos familiares das vítimas, que é acusada de morosidade na montagem de um centro de apoio para as famílias dos desaparecidos. No domingo, quando questionada pelos jornalistas sobre a causa da demora, a ministra escusou-se a responder, abandonando a conferência de imprensa.

Alguns meios de comunicação social britânicos questionam ainda por que razão as pessoas tiveram de andar de hospital em hospital para saberem notícias sobre familiares desaparecidos.

A comparação com o 11 de Março é inevitável: na tarde do dia do ataque de Madrid, em 2004, as autoridades madrilenas disponibilizaram um centro de apoio às famílias e, 24 horas depois do atentado, haviam sido identificadas cerca de 150 pessoas.

Testemunhas podem ajudar nas investigações

Entretanto, as autoridades britânicas continuam as investigações sobre os autores dos ataques, e criaram uma linha gratuita e um endereço de correio electrónico (images@met.police.uk) para onde é possível enviar imagens e vídeo recolhidos durante a manhã da passada quinta-feira junto aos locais dos atentados. A Scotland Yard acredita obter assim imagens essenciais ao processo de investigação.

A polícia britânica mantém-se prudente, evitando citar nomes de eventuais suspeitos. No entanto, os jornais britânicos apontam os nomes de dois suspeitos: Mohamed Guerbouzi, um britânico de origem marroquina, e Mustafa Setmarian Nasar.

Ana Correia Costa
Votar:
  • a
Pontos: 0 | Classificação: 0
zon startup pirates obciber noticiasup cdm parglobal ryanair

Logo da Creative Commons ERC ISSN 1646-3064