O concerto no Coliseu do Porto privilegiou o último álbum, "Takk...", mas a revisão de "Ágaetis Byrjun" e "( )" não foi esquecida.
Quando os Sigur Rós visitaram o Coliseu do Porto, em 2003, a comoção entre a plateia, que os via quase na totalidade pela primeira vez, foi generalizada: a emoção de ver a concretização "material" do imaginário que havia surpreendido o mundo da música moderna foi avassaladora. Se bem que a promoção de "( )" fosse a razão da visita, a obra-prima "Ágaetis Byrjun" (1999) ainda estava bem fresca na memória. O concerto deste sábado cativou de maneira diferente, mais pelo reconhecimento da pureza e beleza das canções do que pela sensação de se estar a assistir a um momento fundador ou original.
A rendição do público portuense estava porém garantida: a relação dos Sigur Rós com Portugal parece configurar um daqueles casos idiossincráticos de amor mútuo, de que são exemplo os Tindersticks ou os Lamb. Com um som muito longe de ser fácil e sem "airplay" nas rádios, os Sigur Rós mantiveram "Takk..." durante muitas semanas nos primeiros lugares do "top" nacional. Não foi por isso de estranhar que a lotação do Coliseu estivesse quase esgotada.
"Glósóli", primeiro single de "Takk...", foi o primeiro tema, com a banda a surgir por detrás de uma cortina branca, através da qual era possível ver as sombras dos seus elementos. Num início forte, seguiu-se "Ný Batterí" (primeira incursão por "Ágaetis Byrjun") e "Saeglopur". Desde logo ficaram patentes algumas das imagens de marca da banda, como Jónsi, o vocalista, a manusear a guitarra com um arco de violino, obtendo um som distorcido e fantasmagórico.
O trio de temas inicial foi também emblemático da estrutura de canção habitual da banda: contenção inicial que desagua invariavelmente num libertar de tensões colectivo com muitos decibéis à mistura.
"Takk..." serviu de fio condutor da actuação: "Gong" (ritmo diabólico, no final quase típico de música de dança), "Andvari", "Hoppipola", "Með Blóðnasir", "Svo Hljótt" e "Heysátan" fizeram parte do alinhamento. "Njósnavélin", de "( )", e "Olsen Olsen" e "Viðrar vel til Loftárása" de "Ágaetis Byrjun", asseguraram um cunho retrospectivo razoável.
A recepção do público foi de uma maneira geral mais calma do que em 2003, mas não deixaram de se fazer sentir algumas manifestações de euforia traduzidas, por exemplo, em palmas fora de tempo (bem antes do final das músicas).
Na despedida, as únicas palavras dirigidas ao público: num inglês carregado de sotaque islandês (afinal, parece que Björk não faz de propósito para falar assim), Jónsi agradeceu os aplausos e elogiou a audiência. O "encore" ficou por conta de "Popplagið" ("Música Pop"), porventura o melhor momento de “( )”, parcialmente executada com o pano branco novamente descido.
O momento foi marcante não só pela descarga final eléctrica e pujante, mas também pela projecção na cortina de uma espécie de interferência televisiva e de uma antena de telecomunicações em movimento giratório. Uma forma da banda mostrar que é apenas mais um elemento no meio do ruído do mundo contemporâneo? Seja como for, o regresso ao palco por duas vezes para receber a ovação do público prova que são, pelo menos, uma interferência que conta com um dedicado grupo de seguidores em Portugal.
Na primeira parte actuaram as Amina, quarteto islandês feminino de cordas, mas que também se serviu de instrumentos como o "glockenspiel" e o violino, ou da menos ortodoxa serra e de um conjunto de copos para construir melodias frágeis de caixa de música. Para além disso, acompanharam os Sigur Rós em algumas das canções, como "Hoppipolla" ou "Hafssol".
Um concerto absolutamente inesquecível, da mais bela música que se faz actualmente.
Parabéns João Pedro, pela descrição fiel do se se passou... e do que todos vivemos naquelas 3 horas no Coliseu. Foi arrepiante de emoções, para o corpo e para o espírito.
Eu estive lá e até agora foi a única crítica que descreveu o que lá se passou. Ainda bem. Parabéns
Fiz 16 horas de viagem para os ver! Fazia mais 16. O melhor concerto da minha vida! Simplesmente Perfeito.
Também estive presente neste concerto!
Todas as expectativas acumuladas durante um mês, com o bilhete religiosamente guardado na última e mais protegida gaveta do armário, foram largamente excedidas.
Um ambiente de cortar a respiração. O mesmo objectivo espelhado nos rostos de quem encheu o Coliseu e que justificou a presença de todos nós: sonhar e sentir o mundo dos Sigur Rós. Sem procurar perceber o que dizem, apenas sentir o que querem dizer.
De facto, acho que ninguém saiu indeferente pelas portas do Coliseu naquela noite!! 2 horas a ouvir e a sentir a música fantástica de Sigur Rós... 2 horas de abstração total do mundo real, a apreciar cada instante!
São simplesmente geniais
eu estive lá........fenomenal
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