Experiência internacional não garante emprego em Portugal. Licenciados fogem do país à procura de oportunidades.
"Em Portugal não existe a sensibilidade necessária para reconhecer as vantagens de uma experiência no exterior". A frase é de um licenciado que procurou no estrangeiro as oportunidades de emprego que em Portugal não encontrou.
Pedro Cardoso, licenciado em Jornalismo e Ciências da Comunicação pela Universidade do Porto, tem um currículo preenchido com várias experiências de trabalho internacionais. Ainda durante o curso estudou um ano em Santiago de Compostela, em Espanha. Depois, fez o estágio curricular em Angola, findo o qual arranjou emprego em Cabo Verde. Hoje está novamente em Angola e não pretende voltar para Portugal, "pelo menos nos próximos tempos".
Igualmente céptico quanto à valorização da experiência internacional pelos empregadores portugueses está Diogo Soares de Albergaria. Passou por Angola, tirou o curso em Londres, regressou a Portugal e voltou a "fugir do país" para a Austrália. Ao abrigo do programa de estágios internacionais InovContacto, trabalhou numa empresa que o viria a contratar.
Ainda que acredite que a sua experiência no estrangeiro seja "mais um trunfo no currículo", Diogo de Albergaria admite que não sabe "até que ponto é bem visto ter estado tanto tempo no exterior".
Raquel Amaro, 27 anos, licenciada em Química pela Universidade do Minho, não quer voltar para Portugal, a não ser que lhe peçam no âmbito do seu emprego em Madrid. O desânimo quanto ao mercado de trabalho luso surgiu depois de ter estado seis meses a estudar na Sardenha, em Itália, e outros seis a estagiar em Belo Horizonte, no Brasil.
"Procurei emprego em Portugal, mas não encontrei. Cansei-me de sentir que enviava currículos já com a certeza de que ninguém me daria uma resposta. Depois de duas estadias no estrangeiro e a licenciatura na mão, percebi que em Portugal não havia lugar para mim”, desabafa.
Sair do país "uma vez mais" foi a hipótese que agarrou. Agora está em Madrid, a trabalhar numa área muito distante da química, o turismo. "Profissionalmente sinto-me útil. Sinto que fora de Portugal alguém dá valor ao meu trabalho", explica.
Com um percurso muito semelhante ao de Raquel Amaro, Mónica Madureira, com 27 anos, partilha o mesmo pessimismo quanto a encontrar emprego em Portugal. Licenciada em Gestão de Marketing pelo Instituto Português de Administração e Marketing, fez o estágio curricular no Rio de Janeiro, no Brasil. Quando voltou não encontrou emprego e decidiu fazer outro estágio na área dos "media", em Londres.
"Há três anos atrás", Mónica Madureira pensava que a experiência internacional a ajudaria a encontrar emprego em Portugal. "Hoje, não acredito que faça muita diferença", atira.
Mais confiante no peso do trabalho no estrangeiro está Duarte Sá, 26 anos, licenciado em Economia, pela Universidade do Minho. Crê que a sua experiência em Amesterdão, na Holanda, carimbada pelo programa de estágios internacionais da associação AIESEC, "é uma grande valorização pessoal e profissional". "Penso que vai ser reconhecido no mercado de trabalho", completa.
Carina, tu ainda estás na LJCC ou já é o mestrado? :-)
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