SRU de Gaia espera pacote legislativo. Centro e zona ribeirinha transformados numa "área mista de habitação, serviços e lazer, altamente qualificada".
Dentro de dez anos, deverá estar totalmente concluída a reabilitação do centro histórico de Gaia, uma intervenção que pretende captar para esta área de 152 hectares 6.400 novos habitantes e produzir 2.900 postos de trabalho.
A requalificação tem um "potencial sucesso no curto prazo", afirmou hoje o presidente da Câmara de Gaia, Luís Filipe Menezes, na apresentação do "Masterplan", o estudo de enquadramento estratégico do projecto, nas Caves Calém.
O modelo é "inovador" em Portugal, sublinharam os envolvidos na intervenção: primeiro foi feito o diagnóstico para só depois se partir para a formação de uma sociedade gestora. "Não começámos a fazer a casa pelo telhado. Não começámos por fazer uma sociedade ou uma associação - fizemos o estudo e agora é que vamos reunir os instrumentos de acção", disse Menezes, que espera pelo pacote legislativo que permita a constituição da Sociedade de Reabilitação Urbana (SRU) de Gaia, que será responsável pelo projecto.
A definição legal pode acontecer na primeira quinzena de Outubro, revelou o presidente da câmara, referindo ter indicações da tutela nesse sentido. "Manda o bom senso esperar", continuou o autarca, que admite que a câmara possa não ser maioritária na estrutura da SRU. A Parque Expo, que preparou o "Masterplan", quer ser um actor "relevante" na futura SRU de Gaia, afirmou o seu presidente, Rolando Borges Martins.
O estudo estratégico é o "ponto de partida" para transformar o centro de Gaia e a zona ribeirinha numa "área mista de habitação, serviços e lazer, altamente qualificada", com mais espaços verdes e melhores acessibilidades. A actividade das Caves do Vinho do Porto será a alavanca do desenvolvimento do projecto. Ao todo, serão reabilitados 308.200 m2 de edificado (correspondentes a 35% da área da área total da intervenção).
Entre os objectivos, estão potenciar a "vertente lúdica e turística da zona de intervenção, ancorada nas características singulares do património paisagístico e histórico", construir ligações pedonais entre os centros históricos de Gaia e Porto, criar "corredores verdes", hotéis de charme, um centro comercial a céu aberto e um centro interpretativo do Vinho.
O Convento Corpus Christi será reabilitado para acolher um centro de congressos. Nas antigas instalações da Companhia Real Vinícola, nascerá um "centro cultural", projecto "em vias de aprovação pela câmara", adiantou Menezes.
A autarquia quer ainda aumentar a articulação entre as cotas alta e baixa do centro histórico, através da implantação de meios colectivos de transporte (teleférico, escadas rolantes ou elevadores).
Com o projecto, pretende-se um "equilíbrio entre a modernidade e o património", o "desenvolvimento do território e a preservação, promoção e valorização permanente do Vinho do Porto", referiu o vice-presidente da autarquia, Marco António Costa. Segundo Menezes, a metodologia de trabalho - "ir fazendo" em vez de "fazer" de uma só vez - "é, ela própria, indutora de sucesso".
A maior fatia do investimento (604 milhões de euros) cabe aos privados. Dos 213 milhões a ser suportados pelas entidades públicas, a SRU assumirá cerca de 148 milhões.