YouTube entra no mercado dos telemóveis em 2007

YouTube entra no mercado dos telemóveis em 2007

Popular "site" de partilha de vídeos quer conquistar mercado ainda maior. Google procura evitar processos judiciais por infracção dos direitos de autor.

No próximo ano, o YouTube pode tornar-se ainda mais omnipresente. O mais popular "site" de partilha de vídeos deve estar disponível nos telemóveis, o que lhe pode valer um aumento no número de acessos, que ultrapassa hoje os 100 milhões diários.

O anúncio foi feito ontem, quinta-feira, pelo fundador do YouTube, Chad Hurley, na "OgilvyOne Digital Summit". "Esperamos que dentro de um ano tenhamos algo nos dispositivos móveis. Vai ser um mercado gigantesco", disse, considerando o passo uma "transição natural" para a empresa, comprada no mês passado pelo Google por 1,3 mil milhões de euros.

Segundo um estudo da In Stat, uma empresa que analisa o mercado das tecnologias, Hurley está certo. Os consumidores estão mais dispostos a partilhar conteúdos do que ouvir música nos telemóveis, revela a análise publicada este Verão.

Partilhar vídeos caseiros e familiares é mais interessante do que ver um episódio de uma série televisiva no exíguo ecrã dos telemóveis. "Foi impressionante ver como cada vez mais as pessoas utilizam o vídeo para comunicar", disse David Chamberlain, que conduziu o estudo.

O "site" já permitia, desde Maio, a colocação "on-line" ("upload") de vídeos através de telemóvel, mas ainda não é possível aceder aos vídeos a partir dos dispositivos móveis.

O YouTube tem um ponto forte a seu favor: não permite a colocação "on-line" ("upload") de vídeos com mais 10 minutos, limitação que facilita a integração do sistema actual nos telemóveis, menos potentes que os computadores tradicionais.

Uma oportunidade e uma ameaça

O crescimento do YouTube encontra, no entanto, um obstáculo de respeito: os direitos de autor. Como o "upload" de ficheiros vídeo é livre, encontram-se no "site" milhões de vídeos colocados "on-line" sem autorização das empresas detentoras dos direitos de autor.

Para evitar processos judiciais, à semelhança do que aconteceu com o sistema de partilha de ficheiros Napster, a Google está envolvida numa ronda negocial com empresas de "media" para que estas coloquem os seus conteúdos legalmente no YouTube. Em troca, estão a ser oferecidos dezenas de milhões de dólares, escreve o "Financial Times".

Segundo o jornal, responsáveis da Google reuniram recentemente com a CBS, Viacom, Time Warner, NBC Universal, News Corp e outros gigantes dos "media".

Para as empresas, o YouTube é ao mesmo tempo uma oportunidade e uma ameaça: oferece um enorme potencial de divulgação, mas disponibiliza gratuitamente produtos comerciais.

No dia da compra do "site" pela Google, a YouTube anunciou que tinha assinado contratos com empresas de entretenimento como a Universal Music, Sony BMG e CBS.

Pedro Rios
prr @ icicom.up.pt
Foto: Morguefile
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