António Braga desdramatiza fim do porte-pago

António Braga desdramatiza fim do porte-pago

Porte-pago para o estrangeiro é uma "engenharia financeira". Secretário de Estado das Comunidades critica RTP Internacional.

A partir de Janeiro do próximo ano, o sistema de porte-pago para a exportação de jornais para o estrangeiro será cancelado. As comunidades portuguesas a residir fora de Portugal apontam o dedo à medida do Governo, mas o secretário de Estado das Comunidades desdramatiza a questão. "A esmagadora maioria [dos jornais das comunidades] não depende de subsídios", defendeu António Braga, na passada sexta-feira.

No primeiro dia do congresso "Comunicação Social e os Portugueses no Mundo", organizado pela Associação Rosa Azul em parceria com o Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho e com a Câmara Municipal de Baião, o secretário de Estado elogiou o trabalho que os jornais da diáspora fazem ao serviço das comunidades de portugueses a residir no estrangeiro. E criticou a RTP Internacional por "não estar a cumprir integralmente a sua tarefa de serviço público".

Quanto ao porte-pago - um dos assuntos mais polémicos levantado pelos oradores que o antecederam, directores e chefe de redacção de jornais portugueses ou bilingues publicados fora do país -, António Braga desdramatizou o problema, dando como bons exemplos o "Luso Jornal" (França), o "Correio de Venezuela" e "O Século de Joanesburgo" (África do Sul).

Para António Braga, fazer um jornal no estrangeiro e imprimi-lo em Portugal, beneficiando do porte-pago, é "uma engenharia financeira". Mas reconhece que esta medida afectará a imprensa regional e local que, até agora, chegava por correio aos emigrantes.

O Estado deixa de comparticipar o envio destes jornais para o estrangeiro, no entanto, o secretário de Estado das Comunidades adiantou que será criado um portal "on-line" para agrupar as versões digitais das publicações e chegar gratuitamente aos portugueses espalhados pelo mundo.

Paula Teixeira
Foto: GACSUM
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Em resposta ao comentário de Antonio Granjeia Por Antonio Granjeia
22.11.2006 - 15:51

Este governante não conheçe a realidade.
Vive num mundo que o ministro das finanças lhe disse que existia.
Estratégicamente é um erro monumental acabar com este porte pago.

Em resposta ao comentário de LM Ferraz Por LM Ferraz
28.11.2006 - 10:22

O dinheiro e o poder do lobi das empresas de jornalismo estão a conseguir o que querem. O que ninguém diz é que esta lei é uma encomenda dessas grandes empresas, que aceitam pagar essa factura em troca da extinção por asfixia dos pequenos jornais locais, daqueles que não têm capacidade para sobreviver ás exigências loucas desta lei. E todos sabemos o importante papel que essas pequenas publicações têm na promoção cultural e literacia das populações, sobretudo as mais desfavorecidas, que se não for o "jornalinho lá da terra" não lêem mais nada nem têm outro meio de acesso é (in)formação.
Claro que o Governo está-se marimbando para isso... isso é povo ignorante que não compreende as exigências do progresso!

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