Folk desvairada do norte-americana "vence" blues deselectrificados e urbanizados dos Fink e baladas inócuas de Stuart Robertson.
Adam Green é uma espécie de compositor à moda antiga, de trovador dos anos 60 pós-moderno: escreve canções de dois ou três minutos à guitarra, adicionando-lhes um humor corrosivo, com referências sexuais e ao consumo de drogas bem explícitas.
Sozinho à guitarra, este clone facial e vocal de Julian Casablancas, o vocalista dos Strokes, surgiu em palco com um livro em português, do qual ia tentando citar frases, tais como "Estou grávida". Foi apenas o início de um espectáculo à parte de Green, que estava mais do que divertido e quase completamente desconcentrado: esqueceu-se frequentemente das letras e dos acordes e quase parava as músicas por não conseguir conter o riso. Vindo de quem canta "I like drugs", deixa suspeitas…
Mas há quem tenha o dom de ter piada sem esforço, e Green entra nessa categoria. Para além disso tem canções: "Drugs", "Gemstones", "I wanna die", "Emily", "Jessica", ou a muito aplaudida "Carolina" são disso exemplos. O músico passou por todos os seus álbuns e deixou a audiência seguramente bem disposta. A perfeição formal fica para a audição dos álbuns.
Um quase oposto da prestação do norte-americano foi a actuação de Stuart Robertson: sozinho ao piano, foi formalmente perfeito, seguro na voz, mas entediante. As suas baladas, ora mais "jazzy", ora mais pop (algum trabalho nos arranjos poderia levá-lo a ser uma espécie de James Blunt), pareceram, num formato despido, pouco mais do que inócuas.
Quanto aos Fink, estiveram num plano intermédio. Apresentando-se num trio (guitarra acústica, baixo e bateria), o seu som foi a espaços envolvente, com destaque para o trabalho de guitarra de Fin Greenall: acordes geralmente esparsos, evitando solos, usando o instrumento muitas vezes entre o "fingerpicking" e um aparente bater nas cordas, usando a amplificação a seu favor.
O resultado foi um som agridoce, algo como uma versão deselectrificada e urbanizada de blues, que soou muitas vezes a Dave Matthews Band. Nessa linha, "Pretty little thing" e "Sorry I'm late" foram pontos altos.