Cónego associa-se à celebração do 11º aniversário da classificação do centro histórico do Porto como Património Mundial.
"As pedras [do centro histórico] devem estar profundamente desencantadas. Foram colocadas com coração pelos nossos antepassados e estão a gritar, certamente, por alguém que olhe por elas com o mesmo afecto". Foi com palavras sentidas sobre uma zona que é a própria "identidade portuense" que o cónego António Ferreira dos Santos se associou publicamente ao movimento Cidadãos do Porto - Sociedade Aberta.
O movimento de cidadãos preparou para a próxima terça-feira, 4 de Dezembro, um programa festivo [PDF] para assinalar o 11º aniversário da classificação como Património Mundial do centro histórico do Porto pela UNESCO.
A festa começa às 18h30 com encontros em várias praças do Porto, animados por escolas, associações e artistas da cidade. Os vários grupos vão caminhar rumo à Praça do Infante, "epicentro" das celebrações. É lá que, pelas 20h00, vão haver intervenções musicais de Pedro Abrunhosa, Rui Reininho, Vozes da Rádio, Rui Veloso, Ana Deus, Bando dos Gambozinos, Conjunto António Mafra, entre outros.
Tal como em 2006, a Câmara do Porto não assinala a data. Mas Francisco Rocha Antunes diz que, noutros anos, "o esquecimento foi geral". A "rede" já se alastrou a mais de 400 pessoas (através do e-mail 4.12.2007@gmail.com) e tem conseguido apoios de todos os quadrantes."Virámos as costas à força que veio da classificação", referiu hoje, sexta-feira, o cónego Ferreira dos Santos, que aplaudiu o acto de cidadania. "É próprio de uma sociedade adulta que os cidadãos não estejam à espera das autoridades estabelecidas para fazerem tudo", acrescentou.
"O facto de estarmos juntos e de tanta gente ter aderido é um sinal de esperança" para que "o selo de Património Mundial não exista só no papel", disse ainda Ferreira dos Santos.
O evento é financiado através de donativos e é possível graças ao trabalho gratuito dos artistas. Além disso, revelou Francisco Rocha Antunes, promotor imobilário e membro dos 11 fundadores do movimento, serão vendidas lanternas com o símbolo do Património Mundial para suportar as "despesas mínimas" da festa.