Depois de duas semanas de conversações, 190 países assinaram um acordo que prevê um roteiro para o clima a ser discutido até 2009.
A Cimeira de Bali precisou de mais um dia além do previsto para chegar a conclusões concretas. As conversações prolongaram-se pela madrugada de sábado e foi só na tarde desse dia que os 190 ministros aprovaram um roteiro de discussões para o clima, com o objectivo de chegarem a um acordo substituto do Protocolo de Quioto, que finda em 2012.
O ponto mais alto da conferência foram as divergências entre União Europeia (UE) e Estados Unidos (EUA). A UE já tinha apresentado um plano combate às alterações climáticas, antes do início da Cimeira de Bali. Por outro lado, os EUA mostraram-se relutantes em aceitar as reduções obrigatórias de gases de efeito estufa (GEE) até 2020.
O Nobel da Paz Al Gore participou nos trabalhos juntamente com o também laureado Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC). Al Gore referiu que estamos “numa crise planetária” e que é necessário começar a agir o mais rápido possível.
No final das conversações, os EUA ainda se opuseram a uma das medidas do acordo, mas, isolados, acabaram por voltar atrás.
Com um final conturbado, a Cimeira de Bali estabeleceu um roteiro de discussões para as alterações climáticas que deve terminar em 2009, altura em que será estabelecido um novo acordo, substituto no Protocolo de Quioto.
O roteiro de discussões propõe várias metas a serem cumpridas pelos países desenvolvidos e em desenvolvimento.
Os países desenvolvidos deverão estabelecer metas de redução, que devem levar em conta a realidade de cada país. Para os países em desenvolvimento serão estudadas propostas de redução, ao mesmo tempo que serão dados apoios financeiros e tecnológicos, para medidas ligadas à implementação de energias renováveis, por exemplo.
Outras das medidas importantes é o combate à deflorestação e a protecção das florestas. Durante a conferência, a organização não governamental WWF (Fundo Mundial para a Natureza) divulgou um estudo em que prevê que a floresta amazónica, um dos "pulmões" do planeta, poderá ser reduzida pela metade até 2030.
Também será discutido o actual Protocolo de Quioto, que não inclue os EUA. Novas reduções serão estipuladas para os países signatários do Tradado.
Os trabalhos vão começar o mais cedo possível e a primeira reunião está marcada para Março ou Abril.