Primeiro-ministro não descarta reduzir imposto para 19% em 2009. Professor da FEP diz que consolidação orçamental está "no bom caminho", mas por completar.
O primeiro-ministro, José Sócrates, acompanhado do ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, divulgaram esta quarta-feira, em conferência de imprensa, a descida do IVA em 1 ponto percentual, dos actuais 21% para os 20%. A medida foi anunciada imediatamente depois da divulgação do valor do défice público de 2007.
O défice (em PDF) desceu para 2,6%, abaixo dos 3% fixados como meta pelo Governo. O desempenho alcançado representa uma redução de 1,3 pontos percentuais relativamente ao ano de 2006, que se deve em boa parte ao desempenho da Segurança Social, indica o Governo. A redução do IVA vai representar este ano um impacto na diminuição da receita entre 225 a 250 milhões de euros.
O primeiro-ministro considera que, em virtude das incertezas que ainda existem na economia portuguesa, a redução do imposto sobre o valor acrescentado foi uma “atitude prudente e responsável” para aliviar o esforço dos portugueses.
A descida do IVA só foi possível, segundo Teixeira dos Santos, devido a uma redução da dívida pública (em PDF), o que já não acontecia há 30 anos. O Governo estabeleceu para este ano uma nova meta para o défice público de 2,2% (em vez dos 2,4% inicialmente previstos).
José da Silva Costa, professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade do Porto (FEP), concorda com as declarações do ministro das Finanças. Ao JPN, o professor de finanças públicas afirmou que a descida do IVA deveu-se em boa parte à redução da dívida pública. “Esta decisão vai aumentar a capacidade concorrencial da economia portuguesa”, afirmou.
Contudo, na opinião de José da Silva Costa, a diminuição do imposto só se vai sentir se “os agentes económicos não caírem na tentação de manter os preços, o que significará aumentar as margens e não descer os preços para o consumidor”.
Sócrates afastou, para já, a hipótese de vir a reduzir o IVA para os 19%, valor praticado até Junho de 2005. No entanto, admite que, se a longo prazo, a economia portuguesa evoluir favoravelmente, o IVA poderá voltar a descer. José da Silva Costa referiu que “se o Governo está a fazer a gestão do ciclo político eleitoral, está a fazê-lo de uma forma inteligente”.
O professor da FEP está, porém, de acordo com a decisão do Governo. “A consolidação orçamental está no bom caminho, mas não está, de todo, feita, e, visto a actual situação da economia internacional, foi uma boa decisão”, afirmou.
Teixeira dos Santos, numa entrevista à SIC, afirmou que a economia portuguesa está mais preparada para “um bater de asas dos EUA do que há dois ou três anos”.