Ex-provedor do leitor do jornal "Público" defende "mecanismos de auto-regulação do trabalho jornalístico". Experiência e ética formam identidade dos jornalistas.
“O jornalista em construção”, o mais recente livro de Joaquim Fidalgo, é apresentado terça-feira nas jornadas da comunicação da Universidade do Minho (UM).
O livro tem como questão central o processo de construção da profissão de jornalista e baseia-se na tese de doutoramento defendida por Joaquim Fidalgo em Janeiro de 2007, com o título “O lugar da ética e da auto-regulação na identidade profissional dos jornalistas".
A obra divide-se em duas partes. A primeira faz “uma breve abordagem teórica da sociologia das profissões e dos diversos paradigmas”, que foram objecto de estudo e debate. A segunda parte tenta estabelecer um paralelo entre a profissão de jornalistas em “diversas latitudes e em diferentes contextos socioculturais”. Mas também a relação existente, entre os jornalistas e “outros ofícios da comunicação”, explica ao JPN o autor.
“O jornalista em construção” toca na “crise de indentidade” do jornalismo, que, segundo Joaquim Fidalgo, deriva do facto “da personalidade dos jornalistas nunca ter sido uma coisa muito definida e muito forte”. “A crise hoje em dia está mais acentuada, porque aquilo que era só do jornalista agora está acessível a qualquer pessoa, por causa da internet,” afirma.
“Primeiro, é necessário um saber especifico adquirido com a experiência, e, em segundo lugar, ter em atenção as questões éticas e deontológicas; estas duas premissas formam a identidade do jornalista”, refere.
O ex-provedor do jornal “Público” afirma que “os jornais em papel podem desaparecer”, mas os jornalistas vão adoptar uma nova função de “sinaleiros, que nos ajudem a separar o trigo do joio, mas para isto é necessário muitas regras éticas e deontológicas”. “Os jornalistas vão ajudar-nos a navegar, a aprofundar e a clarificar a informação”, prevê.