Rui Rio denuncia que investimento de 400 milhões na zona ribeirinha de Lisboa representa quase dois orçamentos anuais da Câmara do Porto.
O presidente da Porto Vivo - Sociedade de Reabilitação Urbana (SRU), Arlindo Cunha, acredita que o Governo vai apoiar financeiramente a reabilitação da frente ribeirinha do Porto, à semelhança do que fez com a de Lisboa, para onde estão prometidos cerca de 400 milhões de euros do erário público. "São quase dois orçamentos anuais da Câmara do Porto", denunciou o presidente da Câmara do Porto, Rui Rio.
Depois da entrega dos prémios aos melhores projectos para a zona, conhecidos em Fevereiro, Arlindo Cunha disse aos jornalistas esperar que o Governo contribua com pelo menos 60% do investimento público total, seguindo, aliás, a estrutura societária da SRU (60% do capital provém do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana, 40% da autarquia).
"Há o investimento privado, mas há uma componente forte que é público. Obviamente que vamos ter que submeter a financiamento público e a parte maior terá que vir do Governo", afirmou o presidente da SRU. Se assim não acontecer "seria uma discriminação" e uma situação difícil de sustentar, já que alterar a situação "em que estão as grandes cidades" sem apoio estatal "é incomportável com o estado das finanças locais".
Durante a entrega dos prémios do concurso de ideias, Rui Rio denunciou o que diz ser a desproporção entre os investimentos nas frentes ribeirinhas das duas cidades ("Uns [Lisboa] com dinheiro e sem ideias, outros [Porto] com ideias mas sem dinheiro") e voltou a vincar a importância da reabilitação urbana, até "para que o Porto possa combater o desemprego e conseguir algum crescimento económico". O investimento, esse, deve depender mais dos privados, "da economia", do que do Estado, que "não tem dinheiro".
Uma "caixa de cultura" inserida nas casas que pendem sobre o Douro, um centro educativo e de preservação sobre o rio e uma marginal repleta de árvores são algumas das muitas ideias resultantes do concurso e que podem vir a constar do documento estratégico para a reabilitação da frente ribeirinha do Porto, que deverá estar pronto em 2009.
O projecto vencedor, do arquitecto Pedro Balonas, será, naturalmente, valorizado, mas o projecto global incluirá contributos das várias propostas apresentadas a concurso e também da própria estrutura da SRU, disse Arlindo Cunha.
É um "trabalho complexo", mas "seguramente em menos de um ano" estará aprovado o documento estratégico onde vão constar as intenções da SRU para aquela zona da cidade com 335 quilómetros quadrados, assegurou.