"O Primeiro de Janeiro" suspende publicação para se "modernizar"
"O Primeiro de Janeiro" encerra por motivos de mudança de imagem, mas as suspeitas pairam
Foto: Tiago Dias

"O Primeiro de Janeiro" suspende publicação para se "modernizar"

Directora refere necessidade de mudar imagem do jornal, "mas não o conteúdo". Sindicato dos Jornalistas considera fecho "ilegal".

O histórico jornal do Porto "O Primeiro de Janeiro" vai encerrar para "modernização" e no próximo sábado já não deverá estar nas bancas. A notícia, avançada à Lusa pela directora Nassalete Miranda, já foi vista como o que pode ser um primeiro passo para o encerramento definitivo do jornal.

"Precisamos de tempo, para modernização do jornal, em termos gráficos e de imagem, mas não de conteúdo, já que a nossa aposta continua a ser no noticiário do Porto, da região Norte e da cultura", afirmou a directora do jornal à Lusa.

O JPN confirmou que na tarde desta quinta-feira houve uma reunião com a redacção para explicar aos funcionários o que se estava a passar e que está em aberto a possibilidade de "O Primeiro de Janeiro" voltar às bancas em Setembro.

Sindicato dos Jornalistas pede intervenção da Inspecção do Trabalho

O Sindicato dos Jornalistas (SJ) já reagiu ao encerramento do jornal e, em comunicado, o SJ considera "ilegal" a acção, explicando que a administração de "O Primeiro de Janeiro" "não pode encerrar simplesmente as portas e mandar para casa os trabalhadores ao seu serviço, sem ter encetado um processo que respeite as normas legais e acautele os seus direitos e garantias".

Segundo o SJ, esta decisão "culmina um período dramático de várias semanas de expectativas quanto ao futuro do jornal e de longos meses de atraso no pagamento dos salários". O sindicato apela, ainda, aos jornalistas que continuem a aparecer ao trabalho para que não sejam despedidos por faltas injustificadas.

"Na comunicação feita esta tarde, a directora limitou-se a informar que o jornal encerra e que os trabalhadores vão todos embora, a fim de que, segundo justificou, seja accionado o fundo de garantia salarial. Mas a verdade é que este processo está longe de ser assim tão simples. Com efeito, tal fundo só pode ser accionado se a empresa for apresentada à insolvência ou tiver sido iniciado um procedimento de conciliação junto do IAPMEI", indica o texto do sindicato, que refere que a organização vai pedir a intervenção da Inspecção do Trabalho.

De acordo com o comunicado do SJ já se está a proceder à mudança de fechaduras das instalações do jornal.

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Por AAA
26.08.2008 - 16:13

Se fossem so os salarios em atraso... mas por linhas travessas se faz justiça

Por Anonymous
26.08.2008 - 16:15

É pena que um nome que outrora dignificou a classe dos jornalistas acabe assim, mas nos ultimos anos o jornal so serviu de capa, porque uma maçã podre por dentro acaba sempre por cair

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