Autarquia deu um prazo de 30 dias à empresa para que esta assine o contrato com o qual se comprometeu. TCN diz que alterações pedidas pelo IGESPAR põem em causa rentabilidade do projecto.
A Câmara Municipal do Porto decidiu apresentar um ultimato à empresa à qual foi atribuída a requalificação e exploração do Mercado do Bolhão - TramCroNe (TCN) - para que esta assine o contrato que define os seus direitos e obrigações. A empresa comprometeu-se a assinar o contrato quando foi rubricada a minuta do processo antes de ter sido adjudicado o processo.
Neste sentido, a Câmara deu um prazo de 30 dias à TCN para que esta firme o contrato e a escritura de concessão do Direito de Superfície. De acordo com o vereador do Urbanismo, Lino Ferreira, na ausência destas condições, em Setembro, a Câmara iniciará um processo judicial contra a TCN e procurará receber a caução prevista, no valor de 250 mil euros, anulando a atribuição da exploração do Mercado do Bolhão à TCN.
O responsável da TCN pelos projectos em Portugal, Pedro Neves, afirmou ao JPN que a empresa, neste momento, está à procura de uma solução "que garanta que os interesses públicos e privados serão salvaguardados" e aceita que a Câmara esteja interessada em encontrar uma solução. Contudo, Pedro Neves salienta: "temos de garantir que o investimento vai ser amortizado".
Lino Ferreira afirmou, em conferência de imprensa, esta sexta-feira, que o adiamento do processo por parte da TCN é algo que a Câmara "não pode admitir", lembrando que "há muita gente que precisa de saber" como vai ser o futuro do mercado, particularmente os comerciantes. "Isto não pode continuar, de forma nenhuma".
"Não temos o contrato assinado porque a empresa tem vindo a pedir à Câmara que adie o momento de assinatura", explicou Lino Ferreira e salientou que há duas razões fundamentais para que tal não tenha acontecido até aqui: a contestação que houve ao projecto e os resultado das reuniões informais entre a TCN e o Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (IGESPAR).
"Os investidores estrangeiros ficaram assustados com a movimentação política" que houve em redor do Mercado do Bolhão, referiu o vereador. Por outro lado, Lino Ferreira considerou que a TCN terá ficado preocupada com o resultado de várias reuniões informais que houve com o IGESPAR. "Foram dadas algumas indicações relativamente ao estudo prévio que foi apresentado a concurso", disse o autarca. Essas indicações diriam respeito a algumas alterações que teriam de ser feitas à área bruta locável, ou seja, a superfície que recebe espaços comerciais.
Por seu lado, Pedro Neves reconhece que esses dois factores tiveram "peso" na actuação da empresa e explica que o que a TCN pretende "é que o conceito apresentado possa garantir a sua implementação", referindo-se às reservas manifestadas pelo IGESPAR. Segundo o engenheiro da TCN, as preocupações manifestadas pela equipa do instituto de gestão do património significariam "alterações que afectam a garantia da rentabilidade do projecto".
"Isto não pode continuar, de forma nenhuma".
Lino Ferreira considerou que "não assiste razão à TCN" em nenhum dos dois motivos apresentados e que só após a assinatura do contrato poderia a TCN protestar contra algum parecer do IGESPAR.
O vereador explicou que a Câmara convocou a TCN para uma cerimónia de assinatura do contrato no dia 10 de Julho, à qual a empresa compareceu, mas sem os documentos necessários para a celebração do acordo formal. A TCN terá, então, pedido um adiamento da assinatura do contrato para o dia seguinte, ao qual compareceu, mas novamente sem os papéis necessários, que eram a certidão do pagamento do IMT (Imposto Municipal Sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis) e o mandato da administrção do grupo TCN.