O lugar da dança contemporânea na imprensa nacional
O espaço dedicado à cultura é "cada vez menor", diz Alberto Magno
Foto: Mariana Duarte

O lugar da dança contemporânea na imprensa nacional

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A dança é muitas vezes "penalizada" pela lógica de mercado do jornalismo. O número de críticas é proporcional ao número de espectáculos.

A imprensa devia apostar na divulgação das actividades desenvolvidas pelas estruturas independentes de dança contemporânea do Porto, consideram os agentes do meio contactados pelo JPN.

É mais difícil fazer crítica de dança?

"É tão difícil como fazer de música ou cinema", responde Celso Santos. Mas há esse "preconceito" que precisa de ser apagado, diz Tiago Bartolomeu Costa. A linguagem não pode encerrar-se em tecnicismos, tem de ser "acessível ao público em geral". Emanuel Carneiro também não considera que o grau de dificuldade da crítica varie de área para área. É sim "mais complicado encontrar alguém que goste de dança. Em todos os países é assim".

"Não existe imprensa especializada na dança. E o Porto sofre mais do que Lisboa nesse aspecto", diz Alberto Magno, programador da Fábrica de Movimentos. Cristina Grande, programadora de dança de Serralves, afirma que é preciso dar voz ao que é produzido no Porto. "Lamentavelmente, não aparece em muitos meios de comunicação a nível nacional".

Alberto Magno refere que essa lacuna também é uma consequência do espaço "cada vez menor" que a imprensa portuguesa reserva para a cultura. "Os espectáculos são analisados através de um grupo de estrelas e muitas vezes aquilo que é escrito limita-se a ser um espaço de informação curto sobre o que vai ser apresentado", aponta Cristina Grande.

Emanuel Carneiro, editor de Cultura do "Jornal de Notícias" (JN), reconhece que o diário podia dar mais atenção aos projectos alternativos do Porto. Muitas vezes, a agenda privilegia o que é mais vendável, admite.

As imposições da agenda, diz Emanuel Carneiro, só permitem fazer uma abertura de secção quando se trata de "espectáculos invulgares ou quando alguma coreógrafa portuguesa é premiada". Precisam de ser acontecimentos com impacto para os leitores que normalmente "não prestam atenção à dança contemporânea pararem na página". Contudo, há "um esforço" do JN em divulgar a dança contemporânea, diz.

Poucos espectáculos, poucas críticas

Emanuel Carneiro não considera que a divulgação de dança contemporânea na imprensa portuguesa seja diminuta: "A verdade é que o público também é restrito". No entanto, o jornalista reconhece que a formação de públicos está em grande parte dependente da quantidade de informação veiculada pela imprensa.

A programadora de dança da Fundação Serralves diz que faltam críticas. Só surgem quando são espectáculos de "grandes nomes ou quando há esforços internos dos próprios críticos de dança". Na opinião de Celso Santos, professor de Teoria e Crítica de Arte na Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP), predomina o texto apriorístico "de dar a conhecer ao público e de o convocar para os acontecimentos".

Tiago Bartolomeu Costa diz que há crítica de dança na imprensa portuguesa, nomeadamente no "Público" e no "Expresso". O crítico de dança do "Público" e director da revista Obscena diz que é difícil haver mais críticas quando há poucos espectáculos de dança contemporânea no país.

"Há menos crítica de dança do que de música ou teatro porque há menos programação", reforça Celso Santos. O professor da FLUP não acha que a crítica seja um género jornalístico marginalizado em Portugal. Há "tradição de crítica de arte, principalmente de cinema".

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