Ideia surgiu em 1999, mas ainda não foi além do mero debate entre cidadãos. Historiador Germano Silva diz que "todas as condições naturais, históricas e tradicionais apontam" para a união das duas cidades.
Todos os dias, centenas de pessoas atravessam as pontes que unem as cidades de Porto e Gaia, muitas sem se aperceberem que trocam de cidade. A ligação entre as cidades é tal que em 1999 surgiu uma proposta da fusão. Passada uma década do mote dado, cada município mantém-se independente do seu lado do rio.
Germano Silva, jornalista e historiador, defende a fusão até pela história comum das cidades. Aponta como principais vantagens uma reciprocidade de serviços e um intercâmbio cultural. "Todas as condições naturais, históricas e tradicionais que apontam nesse sentido", diz o historiador.
Tiago Azevedo Fernandes, fundador do blogue "A Baixa do Porto", vai mais longe e propõe uma fusão com face tripla - Porto, Gaia e Matosinhos (tal como defende o presidente da Associação Comercial do Porto, Rui Moreira). A marca Porto deve ser o motor desta fusão, diz o blogger, que acredita que, em termos práticos, esta fusão "já se deu em parte".
"O que acontece é que a administração do território não acompanhou esse desenvolvimento", lamenta.
Segundo Tiago Azevedo Fernandes, o poder central sufoca a dimensão dos municípios para resolver qualquer problema. Propõe duas soluções: a criação de um nível intermédio de poder entre o poder local e o central ou a atribuição de maior dimensão às autarquias, fundindo concelhos e freguesias e conferindo-lhes maiores competências.
Amílcar Correia, subdirector do jornal "Público", vê na eventual fusão uma grande oportunidade para canalizar recursos de ambas as cidades, dando origem a uma cidade com muitas potencialidades, tanto regionais como nacionais.
Os opositores a esta fusão apontam algumas fragilidades deste projecto. Para Rio Fernandes, geógrafo, o problema existente não se resolverá com a fusão, mas antes com uma "nova estrutura", com uma gestão mais capaz do que a actualmente desempenhada pela Junta Metropolitana do Porto.
Se a fusão acontecer, defende o professor catedrático na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, terá de envolver mais cidades do que aquelas que estão à margem do Douro - ou seja, Porto e Gaia, mas também Matosinhos, Maia, Valongo e Gondomar. Para o geógrafo, a simples fusão Porto-Gaia denuncia um "dourocentrismo".
Rio Fernandes aponta algumas objecções à fusão Porto-Gaia: as populações vêem estes municípios como referência territorial primordial e não aceitarão perdê-las; os dois territórios são desiguais - Gaia é quatro vezes maior do que o Porto; o efeito de massa obtido pela fusão teria de responder á necessidade de um número bastante elevado de habitantes; e, finalmente, não se compreende o porquê de unir apenas estes dois municípios.
Adeptos e críticos da fusão alinham numa questão: qualquer solução parece estar, para já, impossibilitada pela falta de convergência política entre os dois municípios.
"O actual contexto é o de duas autarquias que não se conseguem articular, por exemplo, para definir o que fazer à Ponte D. Maria Pia, centenária e de valor histórico e incalculável", afirma o subdirector do "Público".
Rio Fernandes concorda: "Falta, antes de mais, a disponibilidade e vontade dos protagonistas à escala local e metropolitana".
deus nos livre
sou a favor de qualquer uniao aqui mencionada. Todos saiem beneficiados com a projecão do novo Porto ou como se venha a chamar, a nivel internacional - mais investimentos - mais integraçao social - menos burocracia - mais direitos já que actualmente muitos habitantes nao tem direito a voto no Porto ainda que dependam dele para melhorar a sua qualidade de vida.
Tb à questao pq Porto e Gaia e nao outros municipios. É muito simples - estes dois estao unidos pelo centro e Gaia nao é uma simples cidade de arredores, pq do centro de Gaia ao centro do Porto sao 20 segundos a pé. Ridiculo que hoje continuem separadas.
Estou a favor tb da uniao de Rio tinto e Matosinhos.
Cumprimentos
Concordo acima de tudo com a fusão entre Porto, Gaia, Matosinhos, Maia, Gondomar e Valongo. Esta é a cidade real, ou melhor, a cidade real toca nestes 6 concelhos, ainda que não os ocupe por completo.
Mas como sabemos, a dimensão física do Porto tem crescido significativamente, pelo que devemos pensar para o futuro. Quando se limitou o Porto à Circunvalação, também era o Porto adequado da altura, e entretanto este cresceu, e o município passou a não ser representativo da cidade. Como tal, a fusão deve ser pensada não só para o presente como para o futuro. Estes 6 concelhos necessitam totalmente de ser fundidos, e o concelho resultante dever-se-á chamar Porto.
Concordo que a primeira fusão a existir seja a do Porto com Gaia devido a toda a história, isto é, são cidades gémeas e nunca fez sentido a sua separação. Os seus centros históricos são na realidade um só. Quem diz que Gaia se desenvolveu em consequência do desenvolvimento e projecção do Porto engana-se redondamente. A verdade é que a parte a Sul do douro da cidade, designada por Vila Nova de Gaia (até o "Vila Nova de" é depreciativo), nunca se desenvolveu o que desenvolveria se as duas metades estivessem unidas. Matosinhos já não tem a ligação histórica que Gaia tem (e muito menos Maia e Valongo), mas no contexto actual da malha urbana, de cultura e projectos simultâneos de grande dimensão, faz todo o sentido incluir Matosinhos nesta fusão.
O único entrave é o poder central. Cada vez que se levanta este assunto ele é automaticamente abafado... Porquê? Porque é uma questão que não tem pontos fracos. O Porto passaria a ser a maior cidade do país e a quinta da península ibérica. Organizada, com recursos, nenhuma 3 das partes está actualmente bastante "atrasada" em relação às outras duas (claro que Matosinhos e Gaia tem áreas dos respectivos concelhos que ainda não têm as condições que se encontram na zona urbana, mas é exactamente a área urbana que eu estou a focar), são factores que iriam projectar a confiança e auto-estima da população. Consequentemente, em tempos de "crise" seríamos uma cidade a remar contra a maré, como sempre ditou a nossa história.
Lisboa só poderia contrapor esta fusão e manter-se como "cidade mais importante do país" se se fundisse com cidades periféricas... e todos nós sabemos o que é a periferia de Lisboa... problemas atrás de problemas... bairros sociais, dormitórios, falta de condições... conclusão: todo dinheiro que essa autarquia recebesse nos próximos anos iriam todos para a periferia, enquanto que o centro de Lisboa continuaria a degradar-se ainda mais depressa do que se degrada nos dias de hoje. Pior que isto seria a o contraste de mentalidades no Porto e Lisboa: enquanto que prevejo que a população do Porto se sentisse do modo como descrevi, não vejo a população de Lisboa a importar-se com esse facto, simplesmente porque a sua população é em grande parte de fora!
Tenho só a rematar que a cidade (toda ela, incluindo Gaia e Matosinhos) pode contar comigo para este projecto, embora tenha o pressentimento que, enquanto Lisboa existir vai tentar sempre reduzir a nossa união ao mínimo... se pudesse separava-nos era ainda mais!
Vamos lá para a frente com isso!
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