Mário Dorminsky: "O Estado tem que ter uma posição diferente em relação ao Fantasporto"
Dorminsky: Fantas 2009 "não foi o festival da crise"
Foto: Manaíra Aires

Mário Dorminsky: "O Estado tem que ter uma posição diferente em relação ao Fantasporto"

Marcadores: ,

Em entrevista ao JPN, o director do Fantasporto faz o balanço final da 29ª edição do evento. No ano em que o Porto viu nascer a Fundação Fantasporto, Dorminsky fala do passado e do futuro de um festival "injustiçado".

Se este não foi o Fantas da crise, como afirmou Beatriz Pacheco Pereira no discurso de abertura, que Fantas tivemos em 2009?

Foi um Fantas idêntico ao normal. Nós quisemos tornar claro que a crise não interferiu ou não iria interferir de maneira alguma no festival, nem ao nível de filmes, nem ao nível dos convidados, nem na relação com o público. Tivemos cerca de 150 convidados estrangeiros, que é mesmo o normal, e cerca de 300 portugueses também ligados ao cinema, à indústria, à produção. Não houve alteração rigorosamente nenhuma em relação aos festivais passados. Daí não ter sido o festival da crise.

No ano passado, o festival teve um saldo negativo de 140 mil euros devido à quebra no apoio concedido pelo Instituto do Turismo. Como correu este ano?

Não fazemos a menor ideia, ainda estamos a fazer uma série de contas, mas acho que o saldo não é negativo. Nós fizemos uma série de cortes que não são visíveis ao grande público, mas não alterámos a imagem que o festival tem e ninguém sentiu e, como tal, creio que haverá seguramente um saldo positivo.

A criação da Fundação Fantasporto é mais uma maneira de conseguir angariar fundos para o festival?

Para já, [a fundação] é criada numa altura de crise, em que há menos dinheiro e em que a cultura talvez seja uma das coisas menos importantes para os empresários, o Estado, as autarquias. Nós temos muitos privados a apoiar o festival e isso é algo muito importante. A criação da fundação estava prevista desde 2001. Assim, o Porto ficaria com três grandes fundações na área da cultura, o Fantasporto, Serralves e a Casa da Música.

Mas será uma fundação como a Casa da Música ou Serralves?

Será igual, exactamente igual.

O Fantas é injustiçado em relação a outras Instituições?


É. Os apoios que são dados têm características diferentes. Até agora, o que eu tenho do Instituto do Turismo é uma resposta oficiosa, por isso não é uma resposta oficial, e eu sinceramente tenho medo de respostas oficiosas. O Estado tem que ter uma posição muito diferente em relação ao Fantasporto. Da mesma maneira que apoiam Serralves e a Casa da Música, com 500 mil euros, então porque é que o Fantasporto não tem apoio semelhante, se até já ganhámos o prémio nacional de turismo como evento de maior imagem internacional?

Votar:
  • a
Pontos: 0 | Classificação: 0

Ligar a esta notícia (trackback): http://jpn.icicom.up.pt/trackback/3953

zon

Logo da Creative Commons ERC ISSN 1646-3064