Escritores do Porto vencem concurso "Jovens Criadores"
Nuno Brito diz que "não é preciso ter formação específica para escrever com qualidade "
Foto: Manaíra Aires

Escritores do Porto vencem concurso "Jovens Criadores"

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12ª edição do Prémio Literário distinguiu Nuno Brito e Inês Castanheira, ambos licenciados pela Universidade do Porto.

Nuno Brito e Inês Castanheira, ambos naturais do Porto e licenciados pela Universidade do Porto (UP), foram dois dos oito vencedores do Prémio Jovens Escritores 2008. O prémio, entregue a 21 de Março, em Lisboa, consiste na publicação de uma antologia dos textos seleccionados pelo júri.

Em entrevista ao JPN, Nuno Brito realça a importância do prémio para um escritor iniciante. “Permite o contacto com pessoas da Literatura e de outras áreas , além de abrir portas para a publicação e haver novas formas de divulgar o nosso trabalho”, aponta.

O autor ressalva ainda que "não é preciso ter formação académica específica para escrever com qualidade e submeter textos a concursos". Por outro lado, “participar de workshops, escritas criativas, conferências, encontros é muito importante”, completa o jovem formado em História pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP).

"Jovens Criadores" apoia artistas de diversas áreas

O "Jovens Criadores" é um programa apoiado pelo Instituto Português da Juventude. Além de Literatura, o concurso abrange outras áreas 14 áreas, como artes plásticas, banda desenhada, moda e música. Anualmente, são apoiados cerca de 80 trabalhos de artistas em início de carreira. Um dos objectivos do concurso é a organização de residências artísticas, em que os seleccionados são convidados a desenvolver projectos multidisciplinares.

Já Inês Castanheira, licenciada em Jornalismo também pela UP, não pensa em seguir um percurso na área literária. “Creio que há muita gente que escreve bem e que se dedica muito a isso. Não quero escrever aquilo que já foi, de algum modo, escrito e pensado. Se é para escrever, que seja algo para fazer a diferença”, ressalva «Minês».

Os dois vencedores incentivam ainda outros jovens escritores a divulgar o que escrevem. “Há textos com muito valor e que não chegam nem sequer a concorrer em concurso. O prémio é relevante, mas isso não significa que os outros textos não o são”, finaliza Nuno Brito.

Centralização cultural em Lisboa?

O prémio ganho pelos dois jovens escritores do Porto reacende o debate sobre a centralização cultural em Lisboa. Nuno Brito afirma que “esse discurso de que Lisboa é favorecida em relação às demais cidades não ajuda. O Porto actualmente tem muita actividade cultural, tem dinamismo e acho que a relação com o cenário cultural lisboeta é complementar”, afirma.

Para Inês Castanheira, “há muitas comunidades culturais fora de Lisboa que possuem um peso significativo e que estimulam a produção de jovens artistas. A questão é as pessoas deixarem de reclamar e perceberem mais o que está ao redor”, complementa a jovem autora.

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