Biografia do artista plástico que "sempre fez arquitectura procurando encontrar a pintura” é apresentada esta quarta-feira, em Lisboa.
“Sempre fiz arquitectura como pintor”. As palavras pertencem a Nadir Afonso e inspiraram Agostinho Santos a traçar o “Itinerário (com)sentido”, um livro onde o jornalista faz uma retrospectiva da vida e da obra do artista portuense.
Ilustrado por centenas de pinturas, fotografias e documentos, o livro inclui depoimentos do pintor Júlio Resende, bem como de vários familiares de Nadir Afonso. “É uma espécie de autobiografia partilhada”, resume Maria José Magalhães, psicóloga que participa no livro com uma análise sociológica ao trabalho do pintor, arquitecto e filósofo.
Admiradora “desde a adolescência” da obra de Nadir Afonso, a actual docente Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto (FPCEUP) define a arte do artista plástico como “a procura da perfeição, não obstante à procura da geometria natural das coisas e da essência matemática da natureza”.
Traços se uma obra onde a pintura e a arquitectura se confundem (ver caixa). “Sempre fez arquitectura procurando encontrar a pintura”, revela Maria José Magalhães, complementando com um episódio da vida do artista enquanto estudante de arquitectura: “Ele punha o cavalete ao alto como se estivesse a pintar em vez de pôr na horizontal, como é habitual na arquitectura”.
Apesar da preferência pela pintura, a autora considera que Nadir Afonso “não seria Nadir se não tivesse feito este percurso pela arquitectura”. “Não seria um homem que sempre se procurou encontrar-se a si próprio e à perfeição, a essência das coisas e não estar apegado aos objectos ao dinheiro”, acrescenta.
Palavras que Maria José Magalhães vai poder repetir, esta quarta-feira à noite, durante a apresentação do “Itinerário (com)sentido” no Museu do Chiado, em Lisboa. A sessão contará com a presença do próprio Nadir Afonso.
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