Depois de ter anunciado que a câmara gasta "600 mil euros por ano" no Rivoli, Rui Sá caracteriza como "falaciosa" a resposta da autarquia. Em comunicado, a câmara defendeu que a cidade poupa 2,5 milhões com a situação actual.
A discussão começou esta terça-feira, quando o vereador comunista Rui Sá declarou que a cidade gasta "600 mil euros por ano" com o Teatro Rivoli. Em resposta, num comunicado enviado à agência Lusa, a Câmara Muncipal do Porto (CMP) não negou este valor, afirmando, até, que no último ano foram gastos "745 mil euros" com a sala de espectáculos, entregue à empresa Todos ao Palco, do encenador Filipe La Féria.
"Quando o Rivoli era gerido pela Culturporto custava à câmara três milhões de euros, por ano, sem público. Em 2008, o Rivoli custou 745 mil euros, sempre com casa cheia", refere o comunicado, que conclui que, em dois anos, a câmara "poupou 4,5 milhões de euros".
O mesmo comunicado sustenta que "a câmara poupa, por ano, 2,5 milhões de euros" com a situação actual, em comparação com os valores da gestão municipal anterior. Uma resposta que é "falaciosa" na opinião de Rui Sá. O vereador não acredita que seja "necessário gastar tanto dinheiro" para ter o teatro sob gestão municipal.
Além disso, para o comunista, "não se pode comparar a actividade de uma empresa que, por si só, é lucrativa, com a actividade anterior do Rivoli, que procurava fomentar actividades culturais que pelas suas características não são lucrativas".
Em declarações ao JPN, o vereador da CDU vai mais longe ao afirmar que os gastos da autarquia com o Rivoli denotam "uma falta de transparência completa e uma falta de rigor na gestão de dinheiros públicos que é extremamente preocupante", diz, em alusão aos restantes dados do comunicado.
O documento sublinha, ainda, que alguns custos de manutenção do espaço são da responsabilidade da câmara, "independentemente de ter mais, menos ou nenhum uso". O comunicado estima que estas despesas representam "482 mil euros", pelo que "o custo da autarquia para ter o Rivoli sempre cheio é de apenas 97 mil euros por ano".
A isto, a câmara soma os 5% de lucros provenientes da bilheteira do Rivoli, como ficou assente no acordo celebrado entre a autarquia e a empresa Todos ao Palco. Isto traduz-se num lucro de "166 mil euros por ano" para a cidade. Por isso, para o município, "o Rivoli tem um custo líquido de 579 mil euros, englobando aqui todas as despesas fixas e variáveis que existem, independentemente do seu uso ou não".
"A questão de fundo que está aqui em cima da mesa é que há dinheiros de todos os portuenses a contribuírem para os lucros de uma empresa privada, que foi contratada sem qualquer concurso público", afirma Rui Sá, referindo-se ao acordo entre a câmara e a empresa de La Féria.
Para o vereador, "a empresa Todos ao Palco, pelo tipo de espectáculos que promove, não tem qualquer necessidade de estar a utilizar um espaço público", por isso, "poderia alugar espaços privados existentes na cidade", como o Teatro Sá de Bandeira ou o Coliseu do Porto.
O JPN tentou, sem sucesso, entrar em contacto com a Câmara do Porto, bem como com a empresa Todos ao Palco.