Em plena época de afirmação do "jornalismo do cidadão", são vários os problemas que ainda atingem a integridade do jornalismo feito em Portugal. Um cenário que a crise tende a potenciar.
Numa altura em que o jornalismo online começa a ganhar um destaque crescente no panorama da comunicação social portuguesa, o sub-director do Público, Amílcar Correia, defende que "a blogosfera e a Internet permitiram que um maior número de pessoas pudesse usufruir de um direito de expressão".
"A liberdade de expressão tem vindo a aumentar à medida que aumentam os suportes de expressão", refere o jornalista. Nesse sentido, Amílcar Correia admite que "desse ponto de vista, a liberdade de expressão é maior do que nunca", especialmente se comparada com a "realidade histórica" que Portugal viveu antes do 25 de Abril de 1974, realidade essa em que "o direito de expressão era totalmente negado ao conjunto dos seus cidadãos".
Mas se a internet abriu novas portas à participação mediática do cidadão, subsistem dúvidas sobre o seu impacto ao nível das redacções. Questionado sobre o jornalismo online que se faz em Portugal, Alfredo Maia, presidente do Sindicato dos Jornalistas diz que não vê maior liberdade de imprensa" no meio online. Até porque este, por vezes, se limita a "reproduzir o que foi feito nos outros meios", ilustra,
Para o jornalista, liberdade é também sinónimo de "diversidade e pluralismo". Sendo assim, Alfredo Maia diz que não encontra "espaço para diversidade no online em Portugal" facto que "limita a liberdade" dos jornalistas na World Wide Web.
Ainda que a liberdade de imprensa esteja, "do ponto de vista formal, assegurada", o sindicalista detecta "problemas graves" no jornalismo português. A "ameaça de desemprego" que paira sobre alguns conjuntos de profissionais e a "precariedade", que atinge "novos e antigos profissionais" são os principais desafios à "autonomia" da imprensa hoje em dia.
Para o sub-director do jornal Público, a falta de liberdade de expressão passa, no Ocidente, muito mais, por um "tipo de controlo de opinião, que é feito de uma forma muito mais subliminar". Segundo Amílcar Correia, esse controlo acontece sob a forma de "condicionamento económico dos órgãos de informação", pela "pressão de fontes" e anunciantes, que "num cenário de alguma crise nos media", podem conseguir ter "alguma influência no editorial das respectivas publicações".
Sobre os eventuais excessos derivados da "falta de sensatez e de bom senso" dos jornalistas, Amílcar Correia entende que "a ausência da liberdade de expressão é sempre pior", portanto, "é preferível o excesso de liberdade de imprensa à total ausência de liberdade de expressão".
Assinalar o Dia Mundial da Imprensa é, por isso, "fundamental" para o sub-director do Público, "quando em muitos países a liberdade de expressão não é algo adquirido". "Justifica-se a comemoração de um dia deste género, recordando que em muitos países essa liberdade de expressão não existe", afirma Amílcar Correia.
"Só com jornalistas usando plenamente os seus direitos e garantias existe jornalismo verdadeiramente livre e responsável", destaca Alfredo Maia, afirmação que o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa pretende não deixar o Mundo esquecer.
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