Barricados desde quinta-feira na sede do banco, no Porto, cerca de cem protestantes garantem que só vão abandonar as instalações da filial quando receberem o seu dinheiro.
A sede do Banco Privado Português (BPP) do Porto apresenta um quadro heterogéneo. Em plena Avenida Montevideu assiste-se, por um lado, ao sofrimento de quem perdeu todas as economias (e hoje quase passa fome); por outro, os carros de alta cilindrada de alguns clientes continuam a encher esta zona da Foz.
Seja como for, todos manifestam a vontade de reivindicar pelo dinheiro a que não conseguem aceder há seis meses. Assim, após sucessivos apelos à administração do BPP e a
diferentes órgãos governamentais, os clientes decidiram barricar-se na sede do banco, esta quinta-feira à tarde.
Garantem que de lá não saem até que o Conselho de Administração se demita e lhes seja
devolvido o dinheiro que foi depositado com garantia de retorno. "Enquanto eles não saírem [administração] nós também não saímos. E estamos preparados para ficar cá o fim-de-semana se for preciso", disse, à comunicação social, o porta-voz dos clientes, Durval Padrão.
O protesto dos portuenses ecoa já em todo país. De Lisboa, estão a caminho
alguns clientes que se vêm juntar às cerca de cem pessoas que vagueiam pelas instalações
da sede do BPP na Foz do Porto. Também na capital está agendada, para a semana, uma outra manifestação que, garante Durão Padrão, "será mais organizada e terá mais gente" que a corrente.
Em comunicado, a administração da empresa "reconhece e lamenta a situação angustiante e,
nalguns casos, desesperada, em que foram colocados os clientes". Declarações que, para Maria do Céu Pinto, cliente do banco, "não servem para nada" e só deixam os clientes "mais revoltados".
Os clientes, daquele que é apelidado de "o banco dos ricos", intitulam o caso BPP como um
"roubo"."Isto é exactamente a mesma coisa que um gatuno que passa e nos leva a mala com
o dinheiro todo", reclama das depositantes.
Um "roubo" que valeu a algumas pessoas situações financeiras dramáticas. É o caso de
Maria do Céu Pinto que havia colocado todo o seu dinheiro no BPP, num depósito a prazo
com capital e retorno garantidos. "Neste momento estou a viver às custas dos meus próprios filhos. Se não fossem eles, não tinha dinheiro para comer, nem para ir ao médico", conta.
A esperança fica nas futuras decisões do primeiro-ministro, José Sócrates, e do ministro
das Finanças, Teixeira dos Santos. "Nós só podemos contar com o Governo. Só espero que eles sejam justos e façam o mesmo que fizeram com o BPN", remata uma das clientes, em alusão à nacionalização do Banco Português de Negócios.
Após a carta enviada, quinta-feira, ao primeiro-ministro, em que exigem a intervenção do Governo no caso BPP, os clientes do banco aguardam, agora, resposta quanto à devolução de cerca de 1,2 milhões de euros, depositados com garantia de retorno absoluto.
BPP foi a dona branca para os ambiciosos e agora querem que sejam os contribuintes a pagar os prejuijos, mas enquanto a vaca deu leite valeu a pena. Meus amigos tenham por uma vez o bom senso que nunca tiveram,o dinheiro não foi depositado no ministerio das finanças pois não? qual seria o motivo para o governo assumir tais reponsabilidades.
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