Cerca de quatro mil espectadores marcaram presença nas quatro noites do festival. A fusão com ritmos latinos foi um dos factores que mais atraiu o público.
O “Matosinhos em Jazz” deste ano, que terminou no sábado, bateu o recorde de espectadores. Segundo dados da organização, de 13 a 16 de Maio, a 13.ª edição do evento recebeu quatro mil pessoas
A apresentação da Orquestra de Jazz de Matosinhos (OJM), dirigida pela norte-americana Maria Schneider, foi um dos maiores destaques do certame.
“Ficámos muito contentes com o contributo de alto nível da orquestra. Quando acabou o concerto, a Maria Schneider, que é hoje a maior compositora de jazz do mundo, disse-me que não imaginava que, em apenas três dias de ensaio, a OJM conseguisse atingir o nível tão surpreendente a que se chegou naquela apresentação”, comenta o director do festival, António Ferro, em alusão ao espectáculo de quinta-feira que teve lotação esgotada.
Muitas pessoas acabaram mesmo por ouvir o concerto no exterior do auditório da Exponor. “Isso mostra que o festival tem conquistado um nível cada vez mais alto e atingido um público cada vez maior”, afirma o responsável
O evento deste ano contou com um “jazz menos vanguardista”. “Teve um jazz mais latino, não quisemos priorizar o jazz puro porque senão estaríamos a fazer um festival apenas para um público específico”, afirma Ferro, para quem, “num festival, o importante é agradar a gregos e troianos para atrair pessoas que podem até não perceber nada de jazz, mas que gostem daquilo que ouvem”.
A cantora portuguesa Maria Anadon actuou na terceira noite, sexta-feira, agitando o público numa apresentação em que, nas suas palavras, “a própria latinidade fez com que as pessoas se movimentassem”. Com mais de duas décadas de carreira, a artista nota progressos no panorama artístico português.
“Há alguns anos era mais fácil fazer concertos em Nova Iorque do que no meu próprio país. Mas acredito que aos poucos essa realidade está a mudar. A profissão de músico é hoje muito mais aceite, apesar de ainda existirem pais conservadores. Na minha época, era uma loucura dedicar-se apenas à música”, recorda.
O jazz latino teve o seu ponto alto com o concerto, também na sexta-feira, do trompetista cubano Arturo Sandoval, fundador dos Irakere, banda que revolucionou a música dos anos 70. “Muitos cubanos foram assistir ao espectáculo pelo lado político-social de serem cubanos, o que comprova que o jazz, além de ser um género que incorpora várias sonoridades, também incorpora aspectos culturais”, explica António Ferro.
Pela primeira vez em Portugal, Arturo Sandoval deixou elogios à organização do festival e a “um público aquecido, que conseguiu desfrutar muito do concerto”.
Coube ao grupo Quadro Nuevo abrir o festival, na quarta-feira, 13 de Maio. Os alemães levaram para o palco a fusão do tango com o jazz, sem esquecer a música portuguesa. “O grupo, no último ensaio antes do concerto, perguntou-me que música portuguesa poderiam incorporar na apresentação. Acabaram por tocar a ‘Canção do Mar’, uma bela surpresa para o público que compareceu à abertura do festival”, comenta António Ferro.