O Coliseu do Porto recebeu a mais "calorosa" apresentação em Portugal do espectáculo "Gota d'Água", de Chico Buarque.
Foi um Coliseu do Porto totalmente cheio aquele que, na passada quarta-feira, riu, chorou e vibrou ao som de “Gota D’Água”. o musical de Chico Buarque em digressão por Portugal, desde o passado dia 1 de Maio.
A obra, adaptada da tragédia de Eurípides, “Medeia”, conta a história de Joana, mãe pobre de dois filhos, abandonada pelo marido Jasão, que a troca por Alma, a filha de um rico proprietário. A actriz Izabella Bicalho, que assume o papel da protagonista , recebeu fortes aplausos no fim da apresentação. “O mais difícil é fazer as cenas de briga, em que eu falo e berro, e logo em seguida tenho que cantar. Precisei de elaborar a minha técnica para poder realizar bem esse papel”, explica "Joana" ao JPN.
O espectáculo retrata a realidade brasileira dos anos 70, altura em que Chico Buarque e Paulo Pontes escreveram a peça com várias referências à ditadura. A nova versão, dirigida por João Fonseca, já ganhou vários prémios no Brasil, onde estreou em 2007.
Depois de quase três horas de espectáculo, eram muitos os comentários nos bastidores de que a apresentação no Porto “foi um dos espectáculos mais bonitos durante a digressão em Portugal”, como afirma a actriz Maíra Kestenberg, que interpreta a Alma, noiva de Jasão e filha do rico proprietário.
“No Rio de Janeiro, a gente tinha uma diversidade de público, mas o público não era tão caloroso quanto o daqui. Hoje foi emocionante, antes de acabar a primeira música, já estavam aplaudindo”, comenta por sua vez o actor Luca de Castro. “O público do Porto é muito emotivo, é mais coração”, ressalva o também cineasta e director de telenovelas.
Já actor Cláudio Lins, cujos pais são os reconhecidos artistas brasileiros Lucinha Lins e Ivan Lins, destaca que todos os actores estavam "muito emocionados. A reacção do público aqui foi ainda mais incrível do que a que já estávamos vendo nos outros lugares em que passamos”, afirma.
Entre o público, Alexandra Calafiori acompanha o espectáculo desde o seu início e ressalva que “o Porto teve uma das apresentações mais orgánicas realizadas até hoje, muito à flor da pele”, comenta.
“O público foi rápido a entender toda uma literatura que é feita sobre os costumes do Rio de Janeiro. Às vezes, piadas que não funcionam lá [no Brasil] funcionam aqui, acho que porque aqui existe um nível cultural muito bom”, rematao actor Lorenzo Martin, que interpreta o “gigolo” na história.