Museu de Serralves: 200 obras em exposição para contar a história de dez anos
O "confronto directo de obras de diferentes gerações" é o propósito da exposição, diz João Fernandes
Foto: Manaíra Aires

Museu de Serralves: 200 obras em exposição para contar a história de dez anos

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Pela primeira vez, as portas do Museu de Serralves abrem para apresentar a "prata da casa". Cerca de um terço da mostra é dedicado a artistas portugueses.

São mais de 200 obras em exibição, naquela que é considerada a maior exposição de arte contemporânea realizada em Portugal até hoje. Mas, para Serralves, é mais uma forma de celebrar o 10.º aniversário do Museu e o 20.º da Fundação.

A exposição "Serralves 2009 - A Colecção", que hoje abre portas, resgata, assim, uma parte do acervo da instituição, constituído por 1500 peças, às quais se juntam 2000 de privados. O Presidente da República, Cavaco Silva, inaugura, às 19h00, a mostra, que só estará acessível ao público em geral a partir de sábado, em pleno arranque do "Serralves em Festa".

Actualmente, cerca de 1500 obras de arte integram o acervo, avaliado em 59 milhões de euros e resultado de um investimento inicial de 15 milhões de euros. Algumas peças tiveram uma valorização entre 200 e 300 por cento. "Mas não é essa mais-valia que nos interessa, o valor cultural de cada obra é, sem dúvida, o que há de mais importante", afirma o director do Museu, João Fernandes.

Serralves em Festa no Twitter do JPN

Entre 30 e 31 de Maio, Serralves vai abrir novamente as suas portas para a 6.ª edição do "Serralves em Festa". Entre as 8h00 de sábado e as 24h00 de domingo, mais de 300 artistas vão protagonizar actividades na área da música, dança contemporânea, teatro, fotografia, exposições, entre outros. O JPN assegura a cobertura do evento via Twitter com a hastag #serralves09.

Um terço da mostra é dedicado à arte portuguesa

Robert Rauschenberg, Juan Muñoz e Paula Rego, que protagonizou a exposição mais visitada de sempre da história de Serralves, são alguns dos nomes que marcam presença na exibição. Cerca de um terço da mostra é centrado em obras de artistas portuguesas.

A disposição pelas paredes do museu não é cronológica, contudo. Até porque não é esse o objectivo. A ideia é combinar diferentes artistas, contextos e obras de arte com técnicas e naturezas distintas. "O que nos interessa é o confronto directo de obras de diferentes gerações, em que obras feitas na década de 1960, por exemplo, dialogam com obras dos nossos dias", afirma João Fernandes.

Este será o primeiro momento da mostra. O próximo ocorre a 3 de Julho, no actual Sindicato dos Bancários do Norte, antigas instalações da RDP, na Rua Cândido dos Reis, com a apresentação de obras vídeo-cinematográficas. No terceiro, regressa-se ao Museu, com uma exposição centrada nos livros e discos de artista, que será inaugurada em Outubro.

Segundo João Fernandes, "as principais directrizes do Museu nos últimos tempos têm sido conceber a obra de arte como uma memória colectiva e individual", aponta. "Também visamos reunir artistas que tenham originalidade nos seus trabalhos por meio de caminhos que adicionem conhecimento ao conhecimento da arte construído até então", completa.

O que se poderá ver em Serralves

Um dos destaques da exposição é a obra de Helena Almeida, artista que, através de imagens em grande escala, explora a identidade feminina. A artista portuguesa desenvolve há décadas um trabalho voltado para a evolução dos direitos da mulher e a ascensão desses direitos no âmbito artístico.

Destaque também para a obra do português João Penalva. Uma sala inteira pintada de branco e vermelho, com jornais emoldurados nas paredes e um chão utilizado como mapa para narrar a história de um assassinato.

Da contribuição das obras do António Sena para o cenário artístico português da década de 60, foi escolhida a pintura que faz referência ao importante artista norte-americano Man Ray, que revolucionou a arte com as suas directrizes anárquicas.

Ainda da geração de 1960, a brasileira Lygia Pape aparece com uma emblemática obra: no alto de uma parede, uma espécie de "teia cilíndrica" é construída com finíssimos fios dourados e chama a atenção pela forma como o espaço é trabalhado.

No Parque, o público pode-se deparar com árvores assaltadas por fios entrecruzados, numa verdadeira teia que é a obra da artista brasileira Fernanda Gomes.

"É importante que o observador esteja aberto ao desconhecido e ao conhecimento. Não querer tantas explicações também faz parte dos processos da arte dos nossos dias. Quando olho a minha obra, até eu mesma me questiono: ‘o que é isso?", confessa a artista, que não deixa de explorar o conceito de "liberdade de pensamento".

"A minha arte é a experiência de se colocar por inteiro nas coisas mais simples até. As várias impressões e dimensões de pensamento sobre a minha obra são as melhores respostas ao meu trabalho."

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