Excêntrico, paradoxal e visionário são alguns dos adjectivos que cabem no retrato "cliché" de Variações. 25 anos depois da sua morte, o JPN revisita o legado do cantor de Amares, junto de cantores e profissionais da música nacional
Durante a infância passada em Fiscal, pequena aldeia do concelho de Amares, poucos se arriscariam a prever que António Joaquim Rodrigues Ribeiro viria a ser o homem que, em Fevereiro de 1984, subiu ao palco do "Passeio dos Alegres" - apresentado por Júlio Isidro - vestido de comprimido e pronto a revolucionar a música portuguesa. A verdade é que pouco tem de previsível o percurso de António Variações, o barbeiro/músico que, com apenas dois álbuns, traçou um novo rumo no panorama musical nacional.
"Eu conheci pessoalmente o António Variações vestido de fato e gravata a cantar numa colectividade em Santos, onde eu estava. Eu teria, talvez dez anos. Ele chegou lá e cantou dois fados com guitarra e viola. "Mais tarde, ouço falar dele", numa altura "em que houve uma grande transformação na sua forma de vestir e cantar", relembra ao JPN o fadista Camané e membro dos Humanos, grupo que, há cinco anos, saltou para os tops de vendas com um disco de inéditos de Variações.
Do músico bracarense, Manuela Azevedo, vocalista dos Clã, guarda na memória "a imagem das suas aparições televisivas e as suas canções mais famosas". "Tinha uma figura tão forte e fora do comum para aqueles tempos e para o nosso país, que era impossível não repararmos nele e não sermos tocados pela sua diferença e irreverência", acrescenta outra das vozes dos Humanos.
Entre o rock, o pop, os blues ou o fado, são vários os géneros que se misturam nas criações de António Variações. "Dar e receber", "Canção de engate" e "É p'ra amanhã..." são apenas alguns dos temas que marcaram uma época marcada ainda pela afirmação de nomes como Heróis do Mar, Rui Veloso, Táxi, UHF ou Jáfumega.
Para o jornalista musical Luís Oliveira, o contributo de António Variações para a música portuguesa foi "enorme. Mostrou a possibilidade da Pop em Portugal. E conseguiu-o usando como veículo a música de raiz tradicional. Fez o que se propôs: música entre o Minho e Nova Iorque".
Mas nem só da música se faz uma figura que a barba ruiva, as tesouras da barbearia e as roupagens excêntricas tornam difíceis de enquadrar no Portugal dos inícios dos anos 80. "Foi um artista extremo e provocador, com sentido estético muito pertinente e completamente à frente do seu tempo", diz o co-apresentador do Top +.
25 Anos depois da sua morte, como é que um artista com apenas dois discos consegue perdurar no tempo, quer pela imagem, quer pelo discurso que tinha. E quer pelas canções que escreveu?", questiona o radialista António Jorge.
"Eu acho que o contributo de António Variações para a música portuguesa é muito grande. É engraçado, porque não o imagino preocupado com essas coisas. A forma como ele compunha, as entrevistas que ele deu na altura, demonstravam que era “uma pessoa extremamente despreocupada com isso", explica Camané.
"O que é certo é que influenciou a musica portuguesa, a música popular portuguesa, a música pop portuguesa. De facto não existia essa pretensão. Existe sim, aquela grande autenticidade, acrescenta o intérprete de "Maria Albertina".
"Digamos que o epitáfio do António é que sempre que se escreva sobre música dos anos 80, tem de se falar em António Variações", conclui o radialista António Jorge.
É pena que tenha morrido cedo, mas, como sabemos a musica não dá para dança moderna, o Pímba é de longe melhore.
Por respeito aos mortos, STOP, de viver a custa dos mortos, a missão dele simplesmente acabou.
Claro que gosto de ouvir a Maria Albertina, assim como Rob williams.
Boa peça a propósito de uma data que convém lembrar. Os relatos de quem com ele conviveu são uma mais valia assinalável mas tenho pena que o lead caia no cliche, que de resto até a autora assume. Demasiado pós-irónico.
Gostava de lançar uma questão: os inéditos gravados pelos Humanos (essa verruga pop nacional) não mereciam edição própria? Saudações,
Isaac
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