Nuno Carinhas escolheu Gil Vicente para a sua primeira encenação enquanto director artístico do S. João. Peça estreia esta sexta-feira e está em cena até 20 de Dezembro.
É com Gil Vicente que Nuno Carinhas, director artístico do Teatro Nacional S. João (TNSJ) desde Março, se estreia na encenação desde que assumiu o cargo deixado vago por Ricardo Pais. E, tal como o seu antecessor, escolhe "o pai do teatro português" para iniciar o seu percurso.
"Breve Sumário da História de Deus" estreia esta sexta-feira, no TNSJ, e está em cena até 20 de Dezembro. Com a peça, representada, pela primeira vez, na corte de D. João III, Nuno Carinhas não quer falar da Bíblia. "Quero falar sobre a condição humana", adverte. Num "poema de Gil Vicente sobre outro poema que é a Bíblia" conta com três preciosos aliados - Belial, aquele que "trata e prende os mortais", Satanás, o que "comete as tentações", e o "estratega" Lúcifer.
"Eles [os demónios] são os condutores da acção, tal como o Anjo. Mas esta existência de demónios é algo que não é bíblico. Prefigura quase alguma coisa do domínio do surrealismo e isso agrada-me imenso."
Com um elenco composto por 17 actores que interpretam personagens tão diversas como a Morte, Eva, o Mundo e Cristo, o "Breve Sumário da História de Deus" é construído em torno da "chegada de Cristo", diz Carinhas. E, tal como o nome indica, é uma forma mais curta de conhecer a história da Bíblia.
"O que Gil Vicente faz é ser extraordinariamente económico porque pega nas personagens que interessam."
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