Conferência de Fernando Távora de 1990 iniciou, esta terça-feira, o ciclo "Discursos Re-visitados", organizado pela Ordem dos Arquitectos e a FAUP. Até 20 de Abril, são vários os nomes que passam pelo Passos Manuel.
"Vamos assistir a um extraordinário discurso sobre Arquitectura, talvez o mais extraordinário que alguma vez tenha visto." Foi com este mote que Alexandre Alves Costa iniciou, esta terça-feira, no auditório Passos Manuel, a apresentação do discurso de 1990 de Fernando Távora.
Rafael Moneo, Jacques Herzog, Peter Zumthor ou o portuense Álvaro Siza (todos eles distinguidos com o Prémio Pritzker, o "Nobel" da Arquitectura) são alguns dos nomes que vão passar pelo Passos Manuel [ver caixa].
Ontem, o auditório esteve repleto para escutar o "inesquecível e insubstituível" Távora, nas palavras de Alves Costa. O histórico arquitecto falou das suas obras, como a requalificação do Museu Nacional Soares dos Reis e da Praça de Santiago, em Guimarães, e o projecto de construção do mercado de Santa Maria da Feira. "A arquitectura portuguesa, [sou] eu e o Siza" resume Távora na sua comunicação, evocando o arquitecto também pertencente à conhecida Escola do Porto, iniciada por Carlos Ramos.
Os conferencistas - e arquitectos - Eduardo Souto Moura, Alves Costa, Carlos Machado, Manuel Mendes e Jorge Figueira (na altura professores), aproveitaram para explicar ao público a importância do evento de 1990 que, dizem, tentou promover a Arquitectura, testando e explicando a sua credibilidade.
Procurou-se ainda demonstrar a relação de abertura da Arquitectura nacional com a internacional daquela década, convidando uma emergente geração de arquitectos portugueses e estrangeiros, com Álvaro Siza, Fernando Távora, Peter Zumthor, Jacques Herzog ou David Chipperfield, "abrindo" assim os horizontes da Escola do Porto.
Desejava-se, ainda, encontrar uma identidade para a arquitectura portuguesa paralelamente à arquitectura internacional. "Não havia de facto pedagogia teórica, havia era reuniões afectivas com o Távora à volta de um estirador", diz Souto Moura.
"Discursos Re-visitados" pretende, por um lado, celebrar o ciclo de conferências de 1990 e, por outro, questionar o que a passagem do tempo fez ao que se ouviu e foi mostrado.
Fui aluno do Arquitecto Fernando Távora.
Nunca vi professor tão capacitado.
As suas sínteses desprovidas de pretensiosismos ou preconceitos e aliadas a um rigor histórico jamais poderão ser esquecidas.
Obrigado Professor!
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