Antiga aluna do curso de Ciências da Comunicação da Universidade do Porto, Sara Freitas trabalha hoje no Laboratório de Infografia da instituição. "Não é preciso saber desenhar" para fazer uma infografia, diz.
Sara Freitas sempre quis trabalhar na área de jornalismo. Licenciada em Ciências da Comunicação pela Universidade do Porto (UP), apostou na vertente multimédia do curso para criar narrativas para além do texto.
Hoje, trabalha no Laboratório de Infografia da instituição e não deixa de sublinhar as possibilidades desta nova forma de informação, que dá dados ao receptor de uma maneira que um texto e uma fotografia não conseguem dar, ao explorar a não linearidade.
"A infografia trata visualmente os dados, ou seja, nós não precisamos de saber desenhar para conseguir traduzir visualmente uma informação. Um gráfico de barras, um gráfico de linhas é uma infografia, desde que ela esteja dotada de significado", sublinha a infografista. E, uma vez que é uma ferramenta que pretende mostrar o que não pode ser apresentado de outra forma, "quanto mais apelativa, melhor".
Se é verdade que o texto está cada vez mais ultrapassado enquanto motor de informação, há casos em que é insubstituível - enquanto apoio à infografia, por exemplo. Para Sara, o jornalismo multimédia "exige trabalho em equipa" e, muitas vezes, as pressões próprias da profissão e a "estruturação das redacções no formato tradicional", impedem um maior desenvolvimento.
"Os jornalistas vêm-se forçados a ter uma rotina e um hábito de trabalho muito mais metódico. Se perdem um hábito ou lhes é pedido para ter uma formação a outro nível, tudo o resto vai-se desmoronar."
Cada vez mais o conceito de jornalismo associado ao profissional de "papel e caneta" entra em desuso. "A multimédia é uma mais valia e a questão de haver um uso de diversas ferramentas torna-se uma vantagem para nós que queremos contar estórias", diz a infografista, que salienta que esta exploração de diferentes formas de informação "não dá tanto trabalho quanto isso". "A pessoa começa a criar rotinas", justifica.
Apesar de os jornais estarem, agora, a descobrir que as infografias são atractivas para os leitores, Sara Freitas afirma que "ainda não há muita credibilidade assumida no jornalismo perante a infografia", o que nem sempre "permite ao público retirar seriamente um conhecimento eficaz".
Olá Sara Freitas, tudo bem? Parabéns por seu trabalho. Penso que não é necessário ser um desenhista para desenvolver uma infografia mas, uma infografia elaborada junto com um ilustrador, com certeza, dá resultado bem melhor. O Blender (software livre para criar objetos 3D) é muito complicado de trabalhar, apesar de alguns infografistas dizerem que é bastante fácil.
Abraços
O texto online não é linear. A internet não é linear. Uma das razões pelas quais a infografia multimédia não se assume como uma potencialidade maior deve-se ao formato. O flash. O conteúdo do ficheiro produzido (SWF) não é indexável pelos motores sem recorrer a truques e artimanhas. O Deeplinking não é fácil de executar. A informação fica perdida num mundo de milhões pentabytes de informação. O mesmo não acontece com o texto. Espero que isso seja referido na sua palestra. É uma questão de honestidade. SVG e HTML5 talvez sejam a solução, mas para já..não são.
Olá Alysson. Obrigada pelo comentário. Obviamente que a colaboração com designers e até mesmo, em alguns casos, com programadores facilitam bastante o trabalho infográfico. Quanto mais atractiva for a infografia melhor. De qualquer modo é importante não esquecer que a infografia vive da sua capacidade informativa e é isso que a destaca em relação a uma qualquer ilustração. Muitas vezes acontece de os próprios jornalistas esquecerem a componente comunicacional pelas barreiras que encontram face às limitações nas áreas do design e da tecnologia. De qualquer modo sempre que for possível conciliar ambas componentes sem que a estética se transforme em ruído comunicacional tanto melhor!
Antes de mais agradeço o comentário. Obviamente que em termos técnicos o Flash apresenta diversas limitações quer em termos de exploração não linear, quer em termos de acessibilidade. De qualquer modo e, em termos jornalísticos, nem sempre é possível traduzirmos unicamente através de um texto a informação que pretendemos, principalmente quando o trabalho a tratar resulta de uma interpretação complexa de dados. Nesse sentido e, apesar de existirem ainda muitas limitações em termos tecnológicos, devemos ir trabalhando com as ferramentas dentro das suas limitações desde que exista um conhecimento claro acerca das mesmas. Vamos aguardar para que num futuro próximo essas barreiras possam ser quebradas independentemente dos trabalhos serem desenvolvidos em Flash, SVG ou mesmo o HTML5!
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