Uma série de ataques bombistas provocou a morte de 38 pessoas e uma centena de feridos no Iraque, em dia de eleições. O primeiro-ministro iraquiano fala num "dia de vitória".
No domingo, estavam convocados 18,9 milhões de eleitores no Iraque para exercer o seu direito de voto e eleger um novo Parlamento durante mais quatro anos, quando Bagdade, e várias outras localidades iraquianas, foram atingidas por uma onda de ataques perpetrados por militantes islamitas sunitas.
A jornada eleitoral, na qual se elegiam 325 deputados de 86 facções partidárias, ficou marcada pela morte de 38 pessoas e mais de 100 feridos. Os ataques bombistas aconteceram às primeiras horas da manhã, em zonas próximas das assembleias de voto, principalmente na capital, Bagdade, e na província de Diyala. Estas são as segundas eleições no Iraque depois da captura de Saddam Hussein, em 2003.
Segundo a agência Reuters, a divulgação do resultado das votações pode demorar até três dias, neste que é um acto eleitoral visto com particular importância pelas grandes petrolíferas mundiais.
O primeiro-ministro, Nuri al Maliki, que deverá manter o cargo, classificou o domingo como um "dia de vitória contra os assassinos que não querem a democracia", já que, apesar das ameaças da Al Qaeda, a população não deixou de ir em massa às mesas de vota. A organização terrorista prometera, dias antes, uma onda repressiva contra aqueles que decidissem votar.
A Comissão Eleitoral Independente do Iraque avançava, domingo à noite, que, apesar da onda de violência, apenas duas das 50 mil mesas de votos fecharam por breves momentos, sendo que 50% da população foi a votos.
Também o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, felicitou, num comunicado de imprensa, a população iraquiana pela "coragem" na corrida às urnas e por escolherem o "processo político para alcançar segurança e prosperidade". "Tenho um grande respeito pelos milhões de iraquianos que recusaram deter-se perante os actos de violência e expressaram o seu direito ao voto", concluiu.
A Alta Representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança, Catherine Ashton, emitiu uma nota de imprensa [em PDF], em que congratulou a população iraquiana pelo "desafio aos violentos ataques durante a campanha eleitoral e no dia das eleições", o que "reafirma o compromisso da população iraquiana na construção de um Iraque democrático".