O auditório do Passos Manuel recebe, a partir de hoje, "Um beijinho para a minha mãe", uma mostra de música independente. "Criar interesse neste tipo de artistas" é o objectivo do certame.
Hoje, quinta-feira, e amanhã, sexta-feira, o auditório do Passos Manuel recebe, a partir das 22h00, um conjunto de artistas independentes de estilos variados, cujo ponto em comum é "terem mérito reconhecido por um público relativamente restrito". É o festival "Um beijinho para a minha mãe" que quer mostrar ao público "nomes reconhecidos mas com pouca visibilidade", explica, ao JPN, Tiago Correia, um dos organizadores.
O evento nasceu da vontade de criar no Porto uma iniciativa de diferenciação musical. Tiago Correia e Francisco Abrunhosa tomaram consciência de que, no Porto, existiam poucos festivais "centrados realmente na música e não no ambiente ou na festa em si". Por isso, decidiram avançar com uma iniciativa que conseguisse agremiar "artistas que ninguém conhece, a não ser aqueles que realmente apreciam o trabalho".
Mais do que servir como forma de divulgação destes músicos, o festival ambiciona "criar um interesse generalizado para este tipo de artistas", pois, para Tiago Correia, "só assim iniciativas como esta estarão mais presentes no panorama musical do país".
Luís Gravito, mais conhecido como O Cão da Morte, é um dos artistas a mostrar-se no festival. O cantautor começou a desenvolver o seu projecto musical em 2007, altura em que escrevia as suas canções em casa e as colocava no MySpace. Hoje já passou por vários palcos em Lisboa, Porto e Coimbra e nas lojas FNAC de todo o país. Em Setembro lança o novo disco.
Para o músico, é "muito bom que existam pessoas interessadas nestes projectos". Luís Gravito refere que o percurso dos novos artistas passa por "um ciclo e é preciso que alguém o comece"."Quanto mais toco mais vontade tenho de tocar e mais convites tenho para tocar", explica.
A longo prazo, pretende-se que a iniciativa "Um beijinho para a minha mãe" se torne numa referência, sendo "reconhecida pela diversidade de estilos e pela boa musicalidade a que está associada", salienta Tiago Correia, que gostava que este festival fosse "uma casa para os artistas". "O grande objectivo, mas irremediavelmente utópico, é que ele traga o máximo de recognição para os artistas que lá vão."
Quanto à adesão do público, Tiago Correia afirma que, "para já, está a ser uma agradável surpresa", embora se espere que a venda de bilhetes ainda aumente nos dias dos concertos. Luís Gravito não se mostra preocupado com o número de pessoas que vão assistir ao seu espectáculo. Para o artista, o mais importante é "dar uma boa noite às pessoas que lá estiverem".
Para as próximas edições, a organização promete "bandas diferentes" e "novos artistas que nesse período temporal sejam considerados como uma promessa".