A Associação de Tutores e Amigos da Criança Africana nasceu em 2006, no Porto, por iniciativa de jovens voluntários. Hoje, a instituição apoia mais de 250 crianças.
Assamo, órfão, natural de Moçambique, 12 anos. Há quatro que tem Maria Loureiro, portuguesa, como tutora. É ela que assegura todos os meses, com 20 euros, as suas necessidades básicas de educação, saúde, vestuário, alimentação.
Esta é uma de muitas histórias de sucesso promovidas pelo Projecto Tutor à Distância (PTàD) da Associação de Tutores e Amigos da Criança Africana (ATACA), uma organização não-governamental para o desenvolvimento (ONGD) com sede na cidade do Porto.
A instituição nasceu por iniciativa de jovens estudantes que se deslocavam pontualmente a Moçambique em missões de voluntariado. Com a ajuda de pais e professores, ergueram a 1 de Agosto de 2006 a associação, que hoje em dia apoia financeiramente, através de 250 tutores, 275 crianças, muitas das quais órfãs.
"Eu queria o tipo de menino que ninguém quer, que fosse mais velho ou tivesse algum problema, porque o meu objectivo era ajudar", conta Maria Loureiro, professora, explicando que, na ATACA, cada jovem é atribuído de forma aleatória a um tutor. "Na altura, ele tinha um problema na fala provocado por um distúrbio na língua e eu fiquei preocupada", acrescenta.
Através do trabalho dos voluntários da instituição, que fazem a ponte entre as crianças e os padrinhos ou madrinhas, a docente recebeu a informação de que Assamo tinha sido submetido a uma cirurgia e que agora fala como todos os outros colegas do orfanato "Casa Esperança", em Quelimane.
Maria é "tutora total", uma das três modalidades do PTàD [Regulamento em PDF]. Todos os meses tem de dar 20 euros à instituição, quantia que assegura todas as despesas do jovem. Os interessados podem ainda escolher entre ser "tutores educação", contribuindo com dez euros para os gastos escolares, ou "tutores amigos", oferecendo cinco euros.
Todos podem acompanhar bem de perto a vida dos seus afilhados. "Vamos recebendo informação de três a quatro vezes por ano. É uma emoção enorme. Desta vez mostraram-nos vídeos, ele só se ria, ria-se mais do que o que falava", relata emocionada a madrinha de Assamo. "Tive a oportunidade de ver que ele é um menino feliz", acrescenta.
Relatos como este são o sinal que a ataca está no caminho certo, e que foi o traçado no momento da sua fundação. É, ainda, a recompença moral para todos os voluntários que abraçam o nosso Projecto e que, diáriamente, em Portugal e Moçambique dão o melhor da sua sensibilidade e dedicação a crianças carênciadas, na esperança que possam vir a ter um futuro mais feliz.
Como um dos fundadores e primeiro presidente da ataca, deixo aqui o meu mais profundo reconhecimento e respeito a quem tão bem tem sabido dar continuidade a este trabalho.
Fernando Durana Pinto
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