O Porto foi lentamente perdendo o cinema mais tradicional. O JPN traça um retrato de algumas das mais importantes salas da Baixa.
A situação do Cinema Batalha não é nova. Por toda a cidade foram vários os cinemas que, ao longo dos anos, foram fechando as portas.
O encerramento dos cinemas do Bom Sucesso em Junho do ano passado foi um dos últimos capítulos de um destino que já se começou a desenhar há muitos anos. O JPN foi espreitar o passado e o futuro de alguns dos mais importantes cinemas da Baixa do Porto.
O "Café Águia D'Ouro" foi inaugurado em 1839 e começou a funcionar também como cinema mudo em 1908, mas foi só depois de uma remodelação em 1931 que o cinema Águia D'Ouro ganhou a fachada actual, facilmente reconhecida pelos portuenses devido ao símbolo em relevo, suspenso no topo do edifício.
A falta de espectadores obrigou este cinema a encerrar em Dezembro de 1989. O edifício ainda foi sede do INATEL, que teve de abandonar o imóvel por perigo de derrocada.
Em 1999, quando a cidade se preparava para ser "Capital Europeia da Cultura de 2001", surgiu a hipótese do Águia d'Ouro e do Batalha se tornarem num pólo cultural comum, sendo que o primeiro seria transformado na Casa da Música e o segundo na Casa do Cinema. No entanto, dado que, dois anos antes, ambos os imóveis tinham sido classificados como património de interesse concelhio, seria impossível realizar qualquer alteração ao seu traço, o que afastou este projecto.
Em 2003, o grupo Solverde, que se tornou mais tarde no proprietário do espaço, viu chumbado o projecto para converter a sala num casino. A partir desta altura, a sua crescente degradação foi um constante motivo de revolta por parte dos moradores e cinéfilos portuenses em geral.
Em 2006, a Solverde avaliou o cinema em 2,064 milhões de euros e colocou-o à venda por três milhões.
O imóvel foi finalmente comprado em 2008 pelo grupo Endutex, associado à cadeia francesa hoteleira B&B, que investiu quase sete milhões de euros para construir um hotel low cost. O espaço, de duas estrelas, vai contar com 125 quartos, dois jardins interiores e estacionamento subterrâneo. O projecto é assinado pelos arquitectos Nelson de Almeida e Rosário Rodrigues. Prevê-se que o novo hotel abra às portas no primeiro semestre de 2012.
Ao contrário do Batalha, o célebre cinema Passos Manuel continua de portas abertas, mas há muito que não exibe filmes de forma regular. Não fechou as portas aos filmes, no entanto: são vários os ciclos que já se realizaram no espaço, que é também o local habitual das sessões regulares do rejuvenescido Cineclube do Porto.
O cinema Passos Manuel abriu as portas em Novembro de 1971, quando o Coliseu do Porto sucedeu ao Salão Jardim Passos Manuel. Acabou por encerrar entre 2002 e Novembro de 2004, quando, por fim, reabriu com um bar.
Tornou-se assim um espaço multiusos e um importante ponto de passagem na noite da Invicta. Investiu nos sons ousados e alternativos e apostou na música ao vivo e na divulgação de novos talentos utilizando plataformas como o Myspace. De facto, a aposta nas redes sociais é uma das áreas em que o Passos Manuel se destaca, promovendo actividades variadas nos eventos do Facebook e no website, que é frequentemente actualizado.
O cinema Olympia, que se situa poucos metros abaixo do Passos Manuel, não teve a mesma sorte. Abriu ao público com uma lotação de 600 lugares em Maio de 1912 e, assim como o Batalha, foi comprado pela empresa Neves & Pascaud. Acabaria por converter-se num bingo na década de 80.
Quem é o patrão destes 100 funcionários é uma pergunta sem resposta directa. As duas salas de jogo estão concessionadas à Varzim Sol, do grupo Estoril Sol, mas a sua exploração foi cedida à Sociedade Nortenha de Gestão de Bingos (SNGB), e com a devida autorização do Ministério da Economia. Mas nem uma nem outra esclarecem a situação.
O espaço encontra-se actualmente de portas fechadas desde 31 de Dezembro, apesar dos funcionários nunca terem sido despedidos. Vive-se agora um diferendo entre a Sociedade Nortenha de Gestão de Bingos (SNBG), que explorava o bingo, e a Varzim Sol, do grupo Estoril Sol, responsável pela exploração do espaço, mas até agora nenhuma assume responsabilidades quanto ao futuro do negócio e até mesmo dos trabalhadores. Na mesma situação encontra-se o bingo do Brasília.
Também o cinema Trindade, propriedade da empresa Neves & Pascaud, foi convertido, em 1989, no "Bingo do Sport Comércio e Salgueiros" e em dois auditórios. O "Salão Jardim da Trindade" como era designado na altura da sua abertura na Rua do Almada, em 1913, tinha uma lotação de cerca de 1200 lugares. Os antigos frequentadores da sala ainda hoje elogiam os seus distintivos vitrais azuis.
Depois do encerramento dos auditórios em 2000, o Cinema Trindade reabriu as portas em 2008 durante oito dias para o "Indie - Festival Internacional de Cinema de Lisboa" no Porto, quando foi também exposto algum do espólio das antigas salas de cinema da cidade. Mais recentemente, a INATEL começou a utilizar este espaço para a realização de eventos culturais como a retrospectiva de Lauro António que se realizou até 30 de Novembro.
Obrigado por nos lembrar, parcialmente, a lenta agonia dos locais de exibição da cidade, mas parece que o Júlio Diniz, o Sá da Bandeira e o S. João nunca foram cinemas.
O Cinema do Terço também desapareceu recentemente. E o cinema do Foco? ainda funciona? O Pedro Cem, não faz parte da lista como o Cinema Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, que começou a funcionar com a programação da empresa Neves e Pascaud.
E que fenómeno se passou no Porto para as salas fecharem?
Será o Cinema que não gosta do Porto ou os portuenses que já não gostam de Cinema?
Também falta referir que a Medeia Filmes continua a explorar a sala do Teatro do Campo Alegre. Também falta referir que sessões de cinema alternativo continuam a ter lugar em alguns espaços da cidade, embora de forma muito marginal.
Caro Norberto,
Agradecemos o seu comentário. Como mencionamos no início do artigo, esta é o retrato de apenas algumas salas do Porto, nomeadamente da Baixa.
Respondendo à sua questão, o cinema do Foco também se encontra encerrado.
De facto, muito fica por dizer. Obrigada pelas suas sugestões.
Cumprimentos,
Amanda Ribeiro
Devem acrescentar a esta notícia que o Cinema Nun'Álvares sobrevive, não à custa de um tal de Elias, mas sim à custa de todos os ex-funcionários lesados que ficaram sem ver salários e não podem pedir apoio às instituições competentes porque esse tal Elias é inteligente ao ponto de não fazer contratos de trabalho, acusando depois os ex-funcionários de barbaridades (como roubar drives com filmes) para os manter "reféns" da sua ignóbil pessoa.
Falo por mim e por uma série de funcionários que ficaram sem receber alguns desses salários e que, aos que conseguiram alguma evolução, foram travados por esse senhor não compareceu ao tribunal. Para quem não sabe, se essa pessoa não aparecer ao tribunal, para seguir com o processo, a pessoa lesada tem de pagar um valor que à partida não tem, já que foi por motivos financeiros que contactou o tribunal do trabalho.
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