Daniel Catalão, jornalista da RTP, fala sobre as suas escolhas profissionais e o papel da Internet nos órgãos de comunicação social.
Habituado a ser visto nos ecrãs da RTP, Daniel Catalão não faz qualquer distinção no que toca a preferências jornalísticas. Aliás, assume mesmo que prefere conciliar "Internet com rádio e televisão." Embora coloque o meio radiofónico como a sua grande paixão, e parte da sua formação ter sido em novos media, diz ter-se adaptado, instantaneamente, aos ecrãs como, "um peixe na água."
O jornalista concorda com o facto de a televisão ser o meio mais procurado para entretenimento e informação e afirma, ainda, que vai continuar a "reinar durante alguns anos." O próprio diz que é o instrumento da sua preguiça, do "momento do sofá" em que o esforço produzido é zero.
Contudo, e como a Internet está a formar uma concorrência feroz face a todos os meios de comunicação, Daniel Catalão arrisca em dizer que "assumirá o domínio dentro em breve". Hoje já é hábito ver-se TV enquanto se está a navegar, ou seja, tudo em simultâneo. "É assim no Twitter, no Facebook, quando assistimos a um jogo de futebol, a um debate ou a uma entrevista", refere.
Daniel Catalão concede à Internet a capacidade de absorver todos os outros meios tradicionais, conferindo-lhe uma outra vitalidade. "É uma extensão da rádio e da televisão", desde logo porque veio quebrar o carácter efémero dos meios audiovisuais, considera.
O jornalista acrescenta, de forma breve, que vê a Internet como um copo meio cheio e apenas lhe associa um aspeto negativo: "o risco de se desenvolver trabalho baseado, somente, nos dados obtidos online. Perde-se contactos com fontes e com histórias de rua".
No que toca à rádio, a Internet é, para Catalão, "uma extensão que a permite enriquecer", tendo-se transformado "numa televisão ou num jornal". Daniel destaca a mistura de géneros que se fez com a Net: "agora, todos os timbres têm um rosto". A magia que se escondia em torno das vozes da rádio foi quebrada e "já não sobra espaço à nossa imaginação", diz.
A rádio e a televisão continuam a ter espaços e existências muito próprias. Neste sentido, o jornalista afirma que estes dois meios constituem experiências comunicativas muito específicas, ainda que a Internet tenha "potenciado a perduração do trabalho audiovisual".
No fundo, o jornalista realça a capacidade de sermos nos próprios a definir o que queremos ver e quando queremos, de tal modo que "atualmente, se está a abandonar a noção de prime time para se possuir o my time".
No entanto, num período em que muitos vêm o fim do meio radiofónico, Daniel Catalão afirma, de forma convicta, que a "grande ameaça é o fraco investimento publicitário" e não a Internet, porque a rádio "é um meio resiliente, não morre".
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